Cláudio Castello Branco, secretário de fiscalização de TI do Tribunal de Contas da União (TCU), e mais dois auditores terminaram de tabular os dados sobre a governança de TI nos órgãos do governo federal. “A situação”, diz Cláudio, “é muito ruim.” Cláudio e equipe questionaram 255 instituições, como ministérios, universidades federais, autarquias, secretarias e empresas estatais. Cláudio demorou quase um ano para levantar as informações; os gerentes de TI não queriam responder às perguntas; tinham medo de que as informações fossem divulgadas. “Me comprometi a só divulgar os dados consolidados.” Cláudio baseou o questionário nas melhores práticas da ITIL e do Cobit.
Ele mandou uma identificação e uma senha para cada gestor de TI; depois, os gestores de TI acessaram um questionário online com oito questões. Cláudio pediu documentos que comprovassem as repostas.
Ao tabular a pesquisa, Cláudio descobriu que, dos 255 órgãos auditados, 47% não têm planejamento estratégico institucional; desses 47%, 81% não fazem o planejamento estratégico de TI. “Sem isso, o gestor não tem condições de planejar melhorias na TI que ajudem a instituição.” Além disso, 64% das instituições não definiram ainda uma política geral de segurança.
Grande parte dos profissionais de TI dos órgãos públicos, diz Cláudio, são mal qualificados; por isso, não planejam as ações da TI, nem conseguem prever problemas. No estudo, Cláudio notou que só 37% dos funcionários públicos que trabalham na área de TI estudaram TI em alguma escola. “Os profissionais compram sem necessidade, não sabem especificar sistemas e avaliar riscos.” Os gestores de TI também não gerenciam bem os contratos terceirizados; 74% deles não acompanham nenhum índice de qualidade dos serviços prestados. Resultado: o governo paga caro pelos contratos, mas muitas vezes não recebe o que comprou.
Com a pesquisa em mãos, Cláudio recomendou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que orientem e estimulem os gestores de TI dos órgãos públicos federais a adotar diversas medidas, todas baseadas nas melhores práticas da ITIL e do Cobit. Por exemplo, exigir que os órgãos adotem normas para gestão da continuidade de negócios, a gestão de mudanças e a gestão de riscos de TI. Cláudio pretende monitorar os órgãos; ele vai repetir a mesma pesquisa daqui a um ano. “O prazo é razoável, pois é difícil para os gestores mudar a TI nos órgãos públicos.” |