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16 de setembro de 2008 - edição 270 - ano 6
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>> voip – I
Os clientes da NetJet reclamam da qualidade das ligações...

Valter Baldussi instalava antenas de rádio onde a rede da Brasil Telecom não chegava, no Paraná. Com o passar dos anos, a Brasil Telecom expandiu sua rede e Valter ficou com pouco serviço. Em 2006, ele começou vender telefonia pela rede IP (VoIP). Mas os clientes reclamavam da qualidade do serviço.
Quando abriu a NetJet, Valter abriu também a Hiperfone e a Brasil Telenet, esta última com seu irmão, Edson Baldussi Fernandes. A família Baldussi é de investidores. “Eu tenho o segundo grau completo”, diz Valter. “Meu filho está se formando advogado e eu vou montar um escritório de advocacia; e não sou advogado.” Valter tem o perfil de outros empresários do mercado de VoIP.
O ponto fraco da VoIP, diz Valter, é a Internet. “Nossa qualidade fica ruim se o cliente tiver uma conexão de Internet ruim.” A ligação piora se o usuário acessa o e-mail, joga pela Internet, navega.

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>> voip – II
... porque usam banda larga ruim.
Valter hospeda os servidores da NetJet no CPD da Intelig; e usa a rede da Brasil Telecom, da Embratel, da Telefônica e da GVT para vender o serviço de VoIP. A NetJet não tem licença de SCM. Valter não compra a licença porque não sabe se ela valerá amanhã. “Ninguém sabe o que regulamenta a VoIP no Brasil.”
Para a Anatel, VoIP é uma tecnologia — não é um serviço de telecomunicações. Se a operadora usa a rede de outras operadoras licenciadas para distribuir o serviço de VoIP, então a Anatel não exige a licença de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM).
Para melhorar a qualidade dos serviços, Valter criou uma promoção. A partir de março de 2007, se o cliente contratasse banda larga exclusiva para a VoIP, ganharia o equipamento de VoIP da NetJet. A conexão podia ter qualquer velocidade — só precisava ser exclusiva. “Os clientes viram qualidade nos nossos serviços.”
Com a promoção, Valter ganhou 2.500 clientes em 2007 e fechou o ano com 5 mil clientes. Em agosto de 2008, ele já tinha 8 mil clientes. Os clientes falaram mais e Valter ganhou maior poder de barganha junto às operadoras.
No ano passado, Valter montou uma cooperativa com outras operadoras de VoIP.
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>> voip – III
A NetJet lança um cartão 0800
As operadoras da cooperativa usam a rede e os servidores da NetJet; pagam uma taxa para a NetJet, sobre o preço que Valter paga para a Intelig. Quanto maior a cooperativa, maior o poder de barganha de Valter com a Intelig. Com isso, Valter paga para as operadoras R$ 0,06 o minuto para qualquer lugar do país; para São Paulo e Rio de Janeiro, paga R$ 0,03.
A cooperativa tem 20 empresas, inclusive as outras duas operadoras VoIP das quais Valter é sócio, a Brasil Telenet e a Hiperfone. Valter queria mais operadoras na cooperativa, mas os empresários têm medo. “Acham que o serviço será ruim.”
Os técnicos da NetJet, diz Valter, sempre monitoram a qualidade das ligações. “A qualidade é excelente”, ele repete, “e só fica ruim se a banda larga é ruim.”
A NetJet não tem vendedores. Os clientes a procuram por conta própria. Em 2008, Valter lançou cartões de VoIP, tipo cartões telefônicos. O cliente liga para um 0800, informa o número do cartão e o telefone que quer chamar. A ligação é VoIP, mas o cliente pode usar qualquer telefone. Quando acaba o crédito, o cliente recarrega o cartão. Valter cogita contratar vendedores para vender os cartões. Por enquanto, ele os distribui por e-mail.
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