Home    
16 de setembro de 2008 - edição 270 - ano 6
notícias
da semana
>> O TCU pesquisa 255 instituições públicas: 47% delas não planejam a TI, e 64% não planejam a segurança.
>> A Secretaria da Saúde de São Paulo adota e-mail da Microsoft, e deixa o usuário decidir o que é spam.
>> Retrato de um fornecedor de VoIP: o dono da NetJet já instalou antenas, vendeu refeições e planeja um escritório de advocacia.
>> O CESAR promete vender música via celular em 10 mil pontos, sem precisar de operadoras ou de gravadoras.
>> A Clínica Mayo revê 200 estudos científicos para responder: treinamento via Internet dá certo?
>> O Banco do Brasil estuda a telefonia via Internet: por enquanto, é cara demais.
>> A Procempa pretende instalar acesso WiMAX em 149 postos de saúde em 2009.
>> A Transit Telecom corre para instalar 25 novos pontos de presença em 11 estados.
>> Edições anteriores
>> Assinaturas
>> Como anunciar
 
>> Quem somos
 
>> música no celular – I

O CESAR vende música pelo celular...

Em abril, Silvio Meira, cientista-chefe do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), mandou um e-mail para um grupo que incluía Eduardo Peixoto, o executivo de desenvolvimento de negócios. Silvio queria ajuda para inventar um produto para a classe C (gente com renda média mensal de R$ 1.062,00).
Eduardo respondeu na mesma hora. Ele vinha justamente pensando num serviço para distribuir música pelo celular. Outra resposta chegou dois dias depois. Silvio não lembra quem respondeu, nem o conteúdo da mensagem. Só lembra que a resposta não fazia sentido. “O sujeito não tinha entendido nada.”
Não que fosse uma idéia complicada. O CESAR construiu um sistema com tecnologia Bluetooth (comunicação de rádio de pequeno alcance), batizada de Bluwhee. Algumas empresas usam o Bluwhee para fazer marketing: elas enviam filmes, toques e imagens promocionais para o celular de quem passa perto de um ponto de acesso.
No começo do ano, Eduardo leu o relatório de um gerente do CESAR; o gerente propunha distribuir música em parceria com grandes gravadoras. Eduardo gostou da idéia de distribuir música, mas não da idéia da parceria. Ele diz que as gravadoras vão ficar presas à venda de CD “até a morte”.

comente esta notícia Comente esta notícia
 
>> música no celular – II
... sem depender de operadoras nem gravadoras...
Para fugir das gravadoras, Eduardo pensou num esquema para divulgar o trabalho de artistas desconhecidos e vender músicas mesmo a quem tivesse celular pré-pago. No ponto de acesso Bluwhee, o usuário poderia baixar as músicas usando o recurso Bluetooth do celular.
Eduardo explicou tudo isso por e-mail.
Só uma pessoa se interessou.
Ninguém entendeu nada.
“As pessoas só entendem de verdade quando você fala, mostra, liga conceitos”, diz Eduardo. Mandar e-mail não adiantava: ele precisava conversar com as pessoas.
Ele conversou com Cleber Moura e Ivo Frazão, os dois da área de tecnologia do CESAR, e com a analista de negócios Daniela Talmon. Todos gostaram da idéia. Depois de uma noite juntando palavras, escrevendo e riscando nomes em um quadro, os quatro escolheram o nome para o serviço: Tocaê.
Eduardo inaugurou o primeiro ponto de acesso do Tocaê em 25 de maio. O evento foi notícia em vários blogs e nos três maiores jornais da cidade. Para Eduardo, é como se todo mundo já estivesse esperando que aparecesse algo assim.
Os funcionários do Café Delta explicam o serviço aos clientes e deixam um catálogo de músicas na mesa. Cada música custa 50 centavos, menos que um cafezinho. Quem baixa a música pode copiá-la e distribuí-la como quiser. O objetivo do projeto não é dar dinheiro para o CESAR, para o café ou para o artista: é divulgar as músicas. O primeiro catálogo tinha músicas de 6 CDs. O atual tem mais de 400 músicas.
O Tocaê chegou a outros dois pontos, ambos dentro de shopping centers de Recife. Eduardo trabalha agora para expandir o serviço para toda a cidade.
comente esta notícia Comente esta notícia
 
>> música no celular – III
... e agora quer levar o serviço para todo o Brasil.
Eduardo quer levar o serviço a 400 pontos no Recife, depois a outros 2 mil pontos em São Paulo. O objetivo é chegar a 10 mil pontos em todo o país. Por enquanto, Eduardo pensa em outros locais para instalar o serviço. Pontos de ônibus, estações de metrô, filas de banco — locais onde as pessoas só esperam, sem fazer nada. “O mercado de música virou um sarapatel, voltou ao que era antes”, diz Eduardo. “O artista bota a viola embaixo do braço e vai aonde o povo está.”
comente esta notícia Comente esta notícia
imprimir Imprimir
 
Furukawa