Na sexta-feira, 4, 50 horas depois do início da pane na rede da Telefônica, Antonio Carlos Valente, presidente da empresa, convidou jornalistas para explicar o problema.
Marcou o encontro para as 16h30, mas se atrasou uma hora: precisou ir a uma reunião urgente com o pessoal do Procon, que precisava de informações sobre a pane. Os jornalistas esperaram; todos queriam ouvir a história do próprio Valente.
Valente chegou, cumprimentou a todos, se desculpou pelo atraso e, durante 30 minutos, contou a história.
A pane atingiu 18 mil dos 36 mil circuitos MPLS. Alguns circuitos pararam de funcionar, outros funcionaram mais lentamente. Órgãos públicos, empresas e usuários comuns ficaram sem transmissão de dados. Os engenheiros da Telefônica, depois de trabalhar bastante, conseguiram identificar o roteador com defeito, instalado na cidade de Sorocaba.
Quando terminou a história, Valente pediu desculpas para a população e agradeceu os fornecedores, os centros de pesquisa e as operadoras concorrentes. Todos ajudaram a isolar o roteador com defeito.
É a primeira vez que uma pane desse tipo ocorre no mundo inteiro, disse Valente. Técnicos e engenheiros do CPqD, de Campinas, já estão com o roteador e devem estudar o que aconteceu, porque os engenheiros da Telefônica fizeram a rede voltar a funcionar, mas não conseguiram descobrir o que aconteceu. A Telefônica, diz Valente, vai compartilhar o que aprender com qualquer operadora, qualquer fabricante e qualquer empresa usuária de redes MPLS. “Problemas assim não devem acontecer mais.”
Depois do relato, os jornalistas começaram as perguntas sobre a pane, a falha nos equipamentos de redundância, os impactos negativos na marca Telefônica, nos ressarcimentos ao mercado, na multa a ser paga à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a possibilidade da ação de hackers no problema. “A possibilidade de uma invasão existe, mas é pequena”, disse Valente. “O mais provável é um problema de configuração. Reconhecemos publicamente a falha e não nos furtamos a pedir desculpas.”
Durante a conferência, Valente consultou o celular várias vezes. Lia informações sobre as empresas e órgãos públicos que ainda não tinham o serviço de banda larga restabelecido. A cada nova mensagem, o número diminuía; ele passava o novo número para os jornalistas. Os técnicos da Telefônica, disse Valente, tinham o controle da crise.
Depois de um pouco mais de uma hora, Valente respondeu as duas últimas perguntas. As únicas sem respostas: Qual era o nome do fabricante do roteador com defeito? Quem eram as pessoas envolvidas na resolução da pane? “Não seria justo falar o nome deles aqui”, disse Valente. “Todos nos ajudaram com os melhores especialistas.”
A pane acabou naquela mesma noite.
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