Mazoni, ex-Celepar,
aguarda o sinal verde para assumir
o Serpro.
Marcos Mazoni, ex-presidente
da empresa estadual de informática
do Paraná, a Celepar, aguarda
apenas o sinal verde do Ministério
da Fazenda para assumir a presidência
do Serpro, a empresa de processamento
de dados do própriao Ministério
da Fazenda.
A posse de Mazoni no cargo era esperada
para hoje, 29, mas até o fim da
noite de ontem nenhum funcionário
do ministério ou do Serpro confirmou
a informação oficialmente.
Extraoficialmente, o que se sabe é:
dos seis diretores da estatal (incluindo
o atual presidente, Wagner Quirici),
apenas Sérgio Cangiano continuará no
cargo.
Os outros cargos seriam preenchidos por
Gilberto Paganotto e Nivaldo Cunha, dois
ex-diretores da Celepar, e por Vera Morais
e Gustavo Torres, do quadro do Serpro
de Belo Horizonte.
Mas, nos bastidores, as disputas políticas
continuam. Na semana passada, alguns
dos atuais dirigentes do Serpro receberam
ligações do presidente
Lula; ele queria informar pessoalmente
os motivos da troca. A decisão
foi tomada pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega, que tenta trocar o comando
do Serpro desde que assumiu o ministério.
Gaúcho, Mazoni tem o apoio da
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
e do ministro da Justiça, Tarso
Genro. Antes de trabalhar no Paraná,
ele dirigiu o serviço de informática
do governo do Rio Grande do Sul. Ontem,
28, ele já não era mais
encontrado na sede da Celepar.
O Rio de Janeiro
estuda projetos de banda larga sem-fio
Os técnicos
da empresa de informática do
Rio de Janeiro (o Proderj) estão
aprendendo como funcionam as redes
sem-fio de banda larga na prática.
Eles pretendem conectar 92 cidades
do estado, mas antes estudam as tecnologias,
os preços, os custos operacionais
e os benefícios.
Três técnicos do Proderj
se especializaram no assunto. Um deles,
Sérgio Mendes, adianta: quando
acabar o projeto piloto com a Motorola,
vai escrever um documento comparando
as tecnologias Wi-Fi, WiMAX, WiMesh e
pré-WiMAX. Por enquanto, ele tem
uma visão parcial das tecnologias
Wi-Fi, WiMAX e pré-WiMAX.
Wi-Fi
WiMAX
Pré-WiMAX
-
Estável;
- Baixo custo dos equipamentos.
-
Velocidade de até 36
Mbps reais em linha de visada
(LOS);
- Velocidade de até 6
Mbps reais sem linha de visada
(NLOS);
- Boa área de abrangência
com visada, cobrindo até 70
quilômetros;
- Boa área de abrangência
sem visada, cobrindo até 3
quilômetros.
-
Velocidade de até 36
Mbps reais em linha de visada;
- Velocidade de até 6
Mbps reais sem linha de visada;
- Boa área de abrangência
com visada, cobrindo até 70
quilômetros;
- Boa área de abrangência
sem visada, cobrindo até 3
quilômetros.
-
Pequena área de abrangência
(100 metros);
- Velocidade de até 2
Mbps reais no padrão 802.11b;
- Velocidade de até 18
Mbps reais no padrão 802.11g/a.
-
Poucos fornecedores;
- Falta homologação
da Anatel.
-
Custo do CPE (equipamentos instalados
no cliente), de US$ 200.
O Proderj inaugurou,
na semana passada, o sistema de banda
larga sem-fio de Conservatória.
Instalou a tecnologia wireless
mesh, com o apoio da Cisco. “A
tecnologia mesh não
exige visada direta”, diz Tereza
Porto, presidente do Proderj; portanto, wireless
mesh funciona bem em lugares
montanhosos.
O próximo passo é instalar
banda larga sem-fio no município
de Rio Claro. A equipe de Tereza fez
duas reuniões técnicas
com a Motorola. Falta definir a tecnologia
e estudar a propagação
de rádio na região, para
calcular o número de antenas.
Os técnicos
do Proderj acompanham o desempenho
do Wi-Fi no município de Piraí desde
2004; o projeto foi replicado para
Rio das Flores. Depois disso, instalaram
o pré-WiMAX em Visconde de Mauá,
com apoio da Alcatel; e o WiMAX em
Mangaratiba, junto com a Intel. Teresa
Porto explica: “Testamos o funcionamento
do WiMAX sobre a água, pois
alguns distritos de Mangaratiba ficam
em ilhas.”
As cidades se ligam à rede IP/MPLS
do Proderj, contratada em 2004 da Oi.
Por enquanto, diz Tereza, a operadora
não reclama das cidades digitais:
são cidades pequenas, onde a banda
larga não chegava, e onde o investimento
não compensa. Nesses projetos,
os equipamentos sem-fio são doados
ou emprestados pelos fabricantes.
Com os estudos, o Proderj pretende publicar
editais muito bem-feitos, e afastar empresas
sem a devida competência técnica
para pôr o projeto inteiro em prática — um
problema comum no governo.
O órgão
do governo que comanda um serviço é mais
importante do que a tecnologia usada
no serviço. É a conclusão
de um estudo feito pela professora
Chrisanti Avgerou, da Faculdade de
Economia e Ciências Econômicas
de Londres.
Chrisanti queria saber se a tecnologia
faz o cidadão confiar mais no
governo, para isso analisou serviços
de governo eletrônico em várias
partes do mundo, entre eles o caso das
urnas eletrônicas do Brasil. “No
caso brasileiro”, diz Vagner Diniz,
presidente do Instituto Conip, organização
que acompanha o uso da tecnologia no
governo brasileiro, ”a conclusão é interessante.”
De acordo com o estudo, não são
as urnas eletrônicas e nem a tecnologia
em si que determina a confiança
dos brasileiros nas eleições,
diz Vagner. “A confiança
está na Justiça Eleitoral.” Os
brasileiros acreditariam no processo
mesmo se a eleição continuasse
sendo feita com papéis.
É importante questionar o patrocinador
do projeto antes de começar o
processo de inovação tecnológica,
recomenda Vagner. Se o patrocinador é confiável,
como a Justiça Eleitoral, o cidadão
apóia o projeto. Se não é,
o projeto falha.
Falta
uma política centralizada
de TI para o Brasil
O governo brasileiro
oferece bons serviços eletrônicos,
quando comparado a outros governos.
Alguns exemplos, como o uso de urna
eletrônica nas eleições,
a arrecadação de impostos
pela Internet e o atendimento ao cidadão
no Poupa Tempo, são conhecidos
mundialmente. No entanto, o governo
brasileiro está atrasado na
criação de uma política
pública na área de tecnologia.
Governos da Coréia, do México
e da Cingapura já têm uma
política assim, diz Vagner Diniz,
presidente do Instituto Conip . Na Coréia,
por exemplo, é possível
saber qual será a cobertura da
banda larga nos próximos cinco
ou dez anos, qual será o número
de celulares no país ou quais
serviços o cidadão pode
esperar do governo no futuro. Com uma
política assim, defende Vagner,
empresas, entidades e o próprio
governo sabem o que esperar do governo
em relação ao uso da tecnologia. “É importante
para balizar o mercado.”
A maior dificuldade para criar a política
de TI no Brasil é a descentralização
dos planos de tecnologia: cada estado,
cidade ou órgão do governo
toca projetos de TI à sua maneira.
Governo
deve cogitar celular
para a inclusão digital...
O Instituto Conip
recomenda ao governo aproveitar o celular
nos projetos de inclusão digital
e de acesso aos serviços públicos. “Os
celulares estão sempre ligados
e com o usuário”, diz
Vagner Diniz, presidente do instituto. “Além
disso, a tela é pequena: o
serviço deve ser simples, e,
conseqüentemente, mais fácil
de desenvolver.”
No Brasil existem bons exemplos de serviços
de governo no celular. No Paraná,
o desempregado recebe no celular um aviso
sobre a vaga de emprego com seu perfil,
quando a vaga aparece na Secretaria do
Trabalho.
Um dos problemas de usar o celular para
os serviços de governo é a
segurança — mas esse problema
também existe nos computadores.
Outro problema é quem paga a conta. “É impossível
o governo assumir todo o custo das mensagens
enviadas para celulares.” A sugestão
de Vagner é criar uma parceria
público-privada, para que governo
e empresas compartilhem custos e recompensas.
Um dos empecilhos
para o governo colocar os serviços
no celular é o alto preço
cobrado pelas operadoras de telefonia
celular. Outro empecilho é a
falta de preparo das instituições
públicas para perceber os benefícios
do m-Gov e para gerenciar os processos
necessários.
As instituições públicas
também não enxergam como
prioridade de investimento ampliar a
rede de conexão com o cidadão “A
tal de última milha está fora
da prioridade do governo”, diz
Vagner. O governo entende que é preciso
investir em rede, explica Vagner, mas,
mesmo assim, não coloca os valores
necessários no orçamento
para investimentos. Isso significa que
o m-Gov, por enquanto, ficará restrito às
cidades onde já existe conexão.
A conclusão é da pesquisa
realizada pelo Instituto Conip com 24
empresas, entre governo, universidades
e entidades de pesquisa e fornecedores
do setor privado.
Mais da metade dos
computadores do Exército Brasileiro
usa software livre. O projeto para
substituir sistemas proprietários
começou em 2004 e hoje abrange
30 mil máquinas, entre computadores
de mesa, notebooks e servidores.
O técnico do exército instala
o software aberto gradativamente, conforme
a licença de uso do sistema proprietário
vence. Nesse ritmo, 70% do parque instalado
roda com software livre. A próxima
etapa do projeto é substituir
o Lotus Notes por um novo sistema de
gestão eletrônica de documento
(GED), com protocolo eletrônico
e workflow.
A parte do protocolo eletrônico
está pronta, diz o coronel Carlos
Pereira Gil, gerente de software e coordenador
do projeto de software livre. Agora o
desafio da equipe de Gil é buscar
um padrão para armazenar os documentos
eletrônicos e ter uma busca rápida.
Usando *.doc, *.pdf ou padrões
desse tipo, o exército ficará sempre
dependente de um fornecedor; coisa que
Gil não quer.
O exército
precisa de tecnologia para tomar decisões
nas situações de conflito,
como as vividas no Haiti; precisa transmitir
as informações rapidamente
e para qualquer lugar do território
nacional. Para conseguir isso, o exército
usa o Gmail, um serviço da empresa
americana Google.
O uso do Gmail pode causar espanto no
diretor de TI de um banco ou de uma empresa.
Mas para o exército é a
solução, diz o coronel
e gerente de software do exército,
Carlos Pereira Gil. O exército
tem suas peculiaridades.
O exército precisa que uma informação
chegue no dia seguinte na base da fronteira
da Colômbia, “no fim do mundo”.
A Internet está aí. O Gmail
está aí; e algumas pessoas
já usam o Gmail para mandar mensagens
de trabalho. Então, por que não
considerar o Gmail como ferramenta oficial
de trabalho?
“Temos de encarar o fato com naturalidade”,
justifica Gil. O e-mail pela Internet é uma
solução é flexível
e rápida para o exército,
só é preciso adicionar “mecanismos
de segurança de entrada e saída
de informações”.
No cartão de visitas de Gil, aparecem
dois endereços de e-mail, ambos
do Gmail.
Empresas de TI
esperam o último dia para pagar
as dívidas de P&D
Em março,
o governo esperava arrecadar bastante
com as empresas que receberam incentivos
fiscais da Lei de Informática,
mas não investiram a contrapartida
em pesquisa. Esperava arrecadar R$
180 milhões em 2007 — de
R$ 600 milhões, o valor da dívida
total, que o governo parcelou em 48
vezes.
O que o governo não divulgou em
março: os devedores têm
até o dia 31 de julho para fazer
o primeiro depósito. Logo, todos
os empresários esperam o dia 31
de julho, com exceção de
um único deles — ele já depositou
um pouco menos de R$ 2 milhões,
ou 1,1% do que o governo espera arrecadar
com essa dívida em 2007.
Conforme examinam as planilhas do Fundo
Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (FNDCT), administrado
pela Financiadora de Estudos e Projetos
(Finep), os técnicos não
sabem se o Ministério da Ciência
e Tecnologia vai mesmo conseguir os R$
180 milhões de 2007.
E o governo está bobeando na
burocracia. Deveria publicar uma portaria,
para legalizar a arrecadação
das dívidas por meio do Banco
do Brasil e do Tesouro Nacional, o que
facilitaria as coisas para quem deve.
Até agora, não publicou
portaria nenhuma.
De tudo o que for arrecadado, 80% vão
para o CT-Info, uma espécie de
subconta do FNDCT, cujo propósito é financiar
projetos da área de informática.
A Abinee ataca
a idéia de tributação
especial para produtos paraguaios
O presidente da
Associação Brasileira
da Indústria Elétrica
e Eletrônica (Abinee), Humberto
Barbato, planeja atacar hoje uma idéia
do governo: a de criar um regime de
tributação especial para
os produtos de informática fabricados
no Paraguai. Humberto pretende realizar
seu ataque numa audiência promovida
pela comissão de ciência
e tecnologia da Câmara dos Deputados.
Em linhas gerais, o governo pretende
estender os benefícios da Lei
de Informática para os produtos
de informática paraguaios (hardware
e software); mas a redução
nos impostos aconteceria num regime de
cotas. Em português claro, o governo
brasileiro pretende, com descontos nos
impostos, legalizar o contrabando paraguaio;
pelo menos as coisas ficariam claras.
Humberto Barbato é contra. Ele
discutiu o assunto em reuniões
no Ministério do Desenvolvimento
e na Receita Federal, ouviu os motivos
do governo, mas continua contra. “Não
concordamos com a proposta, que é contrária às
empresas que produzem e pagam impostos
no Brasil.”
O deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP),
presidente da comissão de ciência
e tecnologia da Câmara, também
se preocupa com as conseqüências
da proposta do governo. Acha que, para
que a indústria brasileira não
saia no prejuízo, o governo deve
agir com “cuidado”.
O Banco do Brasil
estuda se cobra pelo Licitações-e
Ainda vai demorar
para o Banco do Brasil cobrar pelo
uso do Licitações-e.
Pode ser que o portal continue gratuito.
O pessoal da diretoria de governo do
Banco do Brasil está estudando
o portal agora. Vai levantar quanto gastam
de manutenção e de licenças,
e quanto teriam de cobrar pelo serviço
e qual seria o retorno financeiro para
o banco. Também vai falar com
a área jurídica para ver
como funcionariam os trâmites legais.
Esse estudo deve acabar no final deste
semestre.
Depois de finalizado, o estudo deve passar
pela avaliação da diretoria
e depois pela aprovação
do conselho. Pode ser que o conselho
não aprove a cobrança do
Licitações-e, ou que a
própria diretoria de governo descubra
que o negócio não vale
a pena.
O portal Licitações-e está no
ar desde 2001. É usado por 1.780
compradores, principalmente prefeituras;
e tem 86.700 fornecedores cadastrados.
Em 2006, somente o Banco do Brasil fez
814 pregões para grandes compras.
José Luiz Ferragut
saiu da coordenação de
TI da Secretaria Municipal de Habitação
de São Paulo; vai assumir a nova
gerência de projetos da Companhia
de Informática de Jundiaí (Cijun).
No cargo, comandará a equipe de
suporte técnico para servidores
e sistemas operacionais e a equipe de
suporte técnico para usuários.
José Luiz também é responsável
por pensar e tocar projetos especiais
da Cijun. No momento, ele coordena o
primeiro deles: a instalação
de computadores com acesso a Internet
nos terminais de ônibus de Jundiaí.
Assim, o cidadão acessa a caixa
de e-mail enquanto aguarda o ônibus.