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29 de maio de 2007 - edição 206 - ano 5
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>> conip - I

Cidadão confia na justiça eleitoral

O órgão do governo que comanda um serviço é mais importante do que a tecnologia usada no serviço. É a conclusão de um estudo feito pela professora Chrisanti Avgerou, da Faculdade de Economia e Ciências Econômicas de Londres.
Chrisanti queria saber se a tecnologia faz o cidadão confiar mais no governo, para isso analisou serviços de governo eletrônico em várias partes do mundo, entre eles o caso das urnas eletrônicas do Brasil. “No caso brasileiro”, diz Vagner Diniz, presidente do Instituto Conip, organização que acompanha o uso da tecnologia no governo brasileiro, ”a conclusão é interessante.”
De acordo com o estudo, não são as urnas eletrônicas e nem a tecnologia em si que determina a confiança dos brasileiros nas eleições, diz Vagner. “A confiança está na Justiça Eleitoral.” Os brasileiros acreditariam no processo mesmo se a eleição continuasse sendo feita com papéis.
É importante questionar o patrocinador do projeto antes de começar o processo de inovação tecnológica, recomenda Vagner. Se o patrocinador é confiável, como a Justiça Eleitoral, o cidadão apóia o projeto. Se não é, o projeto falha.

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>> conip - II
Falta uma política centralizada
de TI para o Brasil

O governo brasileiro oferece bons serviços eletrônicos, quando comparado a outros governos. Alguns exemplos, como o uso de urna eletrônica nas eleições, a arrecadação de impostos pela Internet e o atendimento ao cidadão no Poupa Tempo, são conhecidos mundialmente. No entanto, o governo brasileiro está atrasado na criação de uma política pública na área de tecnologia.
Governos da Coréia, do México e da Cingapura já têm uma política assim, diz Vagner Diniz, presidente do Instituto Conip . Na Coréia, por exemplo, é possível saber qual será a cobertura da banda larga nos próximos cinco ou dez anos, qual será o número de celulares no país ou quais serviços o cidadão pode esperar do governo no futuro. Com uma política assim, defende Vagner, empresas, entidades e o próprio governo sabem o que esperar do governo em relação ao uso da tecnologia. “É importante para balizar o mercado.”
A maior dificuldade para criar a política de TI no Brasil é a descentralização dos planos de tecnologia: cada estado, cidade ou órgão do governo toca projetos de TI à sua maneira.

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>> conip - III
Governo deve cogitar celular
para a inclusão digital...

O Instituto Conip recomenda ao governo aproveitar o celular nos projetos de inclusão digital e de acesso aos serviços públicos. “Os celulares estão sempre ligados e com o usuário”, diz Vagner Diniz, presidente do instituto. “Além disso, a tela é pequena: o serviço deve ser simples, e, conseqüentemente, mais fácil de desenvolver.”
No Brasil existem bons exemplos de serviços de governo no celular. No Paraná, o desempregado recebe no celular um aviso sobre a vaga de emprego com seu perfil, quando a vaga aparece na Secretaria do Trabalho.
Um dos problemas de usar o celular para os serviços de governo é a segurança — mas esse problema também existe nos computadores. Outro problema é quem paga a conta. “É impossível o governo assumir todo o custo das mensagens enviadas para celulares.” A sugestão de Vagner é criar uma parceria público-privada, para que governo e empresas compartilhem custos e recompensas.

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>> conip - IV
... mas m-Gov fica só nas grandes cidades.

Um dos empecilhos para o governo colocar os serviços no celular é o alto preço cobrado pelas operadoras de telefonia celular. Outro empecilho é a falta de preparo das instituições públicas para perceber os benefícios do m-Gov e para gerenciar os processos necessários.
As instituições públicas também não enxergam como prioridade de investimento ampliar a rede de conexão com o cidadão “A tal de última milha está fora da prioridade do governo”, diz Vagner. O governo entende que é preciso investir em rede, explica Vagner, mas, mesmo assim, não coloca os valores necessários no orçamento para investimentos. Isso significa que o m-Gov, por enquanto, ficará restrito às cidades onde já existe conexão.
A conclusão é da pesquisa realizada pelo Instituto Conip com 24 empresas, entre governo, universidades e entidades de pesquisa e fornecedores do setor privado.

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