| O
empresário ganha dinheiro quando monta
uma rede própria. Mas, no futuro, ganhará dinheiro
ao alugar (baratinho) a rede de uma outra empresa
qualquer e ao criar, com essa rede, serviços úteis
e baratos. Tudo isso já acontece um pouco
hoje, com a transmissão de voz por IP
(VoIP). Mas falta bastante para que esse futuro
se concretize, pois empresas especializadas em
VoIP confessam: só VoIP não basta
para sustentar uma empresa e pagar o investidor.
A mesa-redonda foi coordenada por Wilson Moherdaui,
diretor editorial do Telecom, e por Rogério
Godinho, editor-assistente. Participaram: Alex
de Paula, presidente da Octum Soluções
de Internet; Cássio Spina, presidente da
Listic Tecnologia (Trellis e Hiper VoIP); Daniel
Duarte Filho, diretor-geral da Telfree Brasil Telefonia
IP; Davi Carvalho, diretor da Transit Telecom;
Hugo Varela, presidente do GT Group; Leonardo de
Souza Mendes, professor da Faculdade de Engenharia
Elétrica e de Computação da
Unicamp; Roberto Miranda, presidente da Telecom
South America (Tesa Telecom); Rodrigo Capriles
Smith, presidente da TDkom Informática (e
Ivoz.Net); e Vasco Crivelli Visconti, diretor-geral
da Hip Telecom.
Telecom — Como
funciona esse projeto da Unicamp, de rede livre?
Leonardo — Desde 1994, conduzimos um projeto
na Unicamp que, acredito, terá impacto
no rumo das telecomunicações. Chamamos
esse projeto de Infovia Municipal: seu objetivo é transformar
100% da comunidade em consumidores de telecom,
de comunicações em geral. Mas com
um característica especial: o acesso à infovia é aberto
para quem consome e aberto para quem provê.
Tanto que o nome técnico da Infovia Municipal é Rede
Metropolitana de Acesso Aberto.
Quando falo sobre a infovia, alguém sempre
levanta a mão e me pergunta se isso é estatização.
Não é. É a construção
de uma via comum. Igualamos a rede de comunicações
com a rede de água, de esgotos, de energia
elétrica. A Infovia Municipal também é levada
para todos, de forma universal. Porque não
tem sentido ter duas redes.
É diferente do modelo atual, em que redes
privadas competem para prestar um serviço
público.
Telecom — No caso da rede de água,
todos nós pagamos. Quem paga a infovia?
Leonardo — Paga
quem consome. Não
dá para comparar a infovia com a TV aberta,
porque nem a TV aberta é gratuita. Quem
assiste à TV aberta, acaba consumindo
determinados produtos, e no preço desses
produtos está incluído o custo
da TV aberta.
Talvez a nossa principal contribuição
tenha sido essa: é possível construir
uma rede assim com recursos existentes no município.
Nem precisamos do dinheiro depositado no Fust
[Fundo de Universalização dos Serviços
de Telecomunicações], se bem que
seria ótimo ter o Fust.
Na Infovia Municipal, os prédios estão
ligados a um núcleo de 1 Gbps — ou
seja, cada escola, cada posto de saúde
tem acesso a 1 Gbps. E temos pontos chamados
de doca de tratamento digital, em que empresas
prestadoras de serviços se conectam.
Então, órgãos públicos
constroem uma parte da infovia, a parte pequena,
e as empresas constroem o restante, a partir
dos negócios que surgem da própria
infovia. Ou seja, a comunidade inteira está pagando.
Roberto — Vocês
compartilham a receita das empresas ou pedem
que as empresas invistam junto com vocês?
Leonardo — As duas soluções
são possíveis e interessantes,
conforme o município. O que varia é o
retorno conforme o caso: o dinheiro retorna mais
ou menos rapidamente. Estudamos o modelo de negócios
para Morungaba, de 10 mil habitantes, para Pedreira,
de 45 mil habitantes, e agora estudamos o mesmo
modelo para cidades de 800 mil habitantes. Em
todas elas o retorno é rápido.
Nós convidamos a prefeitura a fazer o
primeiro investimento; se ela fizer, o retorno é mais
rápido, menos de 24 meses, porque ela
migra o sistema de telefonia para a infovia.
Telecom — É preciso
planejar muito para ganhar dinheiro com voz
via IP?
Alex — A
Octum Soluções é conhecida
pela marca da empresa: Glix VoIP. Voz via IP
gera 100% da nossa receita. Para instalar o serviço
dentro dos clientes, começamos a vender
equipamentos, e depois viramos distribuidores
desses equipamentos; vendemos para empresas.
Estamos há um ano e meio no mercado, e
basicamente fazemos negócios via Internet.
Para manter o custo baixo, não batemos
de porta em porta: só vamos atrás
do negócio quando vem um contato via Internet.
Temos meia dúzia de pessoas cuidando da
estratégia, umas pessoas no financeiro;
mas toda a nossa estrutura é terceirizada,
até o pessoal do atendimento é terceirizado.
Ainda fechamos no vermelho, porque um ano e meio é pouco
tempo, mas o negócio está crescendo.
E queremos crescer 150% em 2008, de acordo com
o nosso business plan, que não elaboramos
ainda...
Telecom — E dá para viver só de
VoIP?
Alex — Essa é a grande pergunta.
Se nós vendêssemos só o serviço
de VoIP, não estaríamos no vermelho,
mas no roxo. Com a distribuição
de equipamentos, já vislumbramos o azul.
Mas, se só vendêssemos equipamentos,
não iríamos longe, porque a Americanas.com
vende mais barato. O segredo é o suporte
técnico. Damos suporte remoto. Temos 400
clientes no Brasil inteiro. A parte triste do
negócio é que, às vezes,
damos o suporte para instalar o serviço
dos concorrentes.
Aliás, quando começamos, nosso
plano de negócios era lindo, 100% de acerto.
40% do plano foi por água abaixo logo
no primeiro mês e, de lá para cá,
corrigimos mais uns 20%. Somos um bom exemplo
de pequena empresa que começou do zero.
Roberto — Nós também temos
dois nomes e existimos há um ano e meio;
na Anatel, nossa razão social é Viper
Serviços de Telecomunicações.
Quando começamos, terminávamos
ligações dos Estados Unidos na
América Central, e o nome do serviço
era Viper. Viemos para o Brasil em 2006 para
montar um sistema de VoIP, e hoje temos autorização
para prestar telefonia fixa, o que não
fazemos ainda.
Terminação de tráfego é um
negócio difícil, mas não
requer muito projeto; requer investimento. Basicamente,
vendemos lá fora e fazemos bons acordos
aqui dentro. É um mercado dinâmico,
complexo, em que as regras mudam todo dia.
Atendemos as empresas pequenas e médias; é o
mercado mais desatendido pelas grandes operadoras,
e não precisa investir tanto em marketing,
comparando com o mercado residencial.
Para vender para empresas pequenas, precisamos
buscar um canal com interesse na venda dos nossos
serviços; nem todos têm interesse.
Depois de errar um pouco, fizemos acordo com
canais em que VoIP se insere num conjunto de
serviços que eles são obrigados
a vender. Revendedores de PABX, por exemplo.
No mercado residencial nossa decisão foi:
só entramos se tivermos um parceiro com
marca forte, que invista em marketing e traga
os clientes. Nosso primeiro parceiro foi a Telefônica,
com o Terra Empresas. Somos sócios do
Terra no Terra VoIP; o Terra vende e nós
operamos a infra-estrutura. Agora, temos produtos
semelhantes: Catho VoIP, Grupo Isa e outros.
Para alguns produtos, quem paga a conta é o
anunciante. Paga não só o custo
da ligação — porque cobramos
também por botão, que empacota
alguns minutos por um valor X. O modelo de negócios
varia. No Sul, por exemplo, nós faturamos
o Grupo RBS e o grupo empacota esse serviço
para os assinantes. Em setembro, começamos
a operar um sistema assim com o Estadão.
Telecom — A receita de voz é o
carro-chefe ou será superada por outros
serviços?
Roberto — Somos
dependentes da estratégia
de venda das grandes operadoras, que detêm
a última milha [os cabos que chegam ao
endereço do cliente]. Redefinimos a estratégia
conforme o que as operadoras fazem. Equilibramos
a receita com uma mistura de serviços
com minutagem.
Davi — Hoje
estou à frente da área
de TI de uma operadora. A Transit vende telefonia
fixa, principalmente para empresas; temos mais
de 73 mil clientes.
Desde que cheguei na Transit, um dos desafios é tirar
uma espécie de barreira mental nas grandes
operadoras, a de que existe telefonia convencional,
que só entrega voz, e que existe a convergência.
Fazemos a convergência há tempos,
mas, na prática, sentimos dificuldade.
O operador se acostumou com aquelas centrais
telefônicas Ericsson ou Siemens, mas nosso
sistema é uma pilha de servidores da Sun
Microsystems, é uma pilha menor do que
um bastidor de assinantes numa central da Ericsson.
[risos na sala] Quem sabe do que estou falando
realmente ri.
Para o usuário, não interessa se
do outro lado tem um servidor, uma central, ou
como vai terminar o tráfego. Para ele,
a grande discussão é ter custo
mais baixo.
Imagine nas grandes operadoras: é um time
de operação para a central tradicional
e um time de operação para o sistema
de VoIP. Na prática, isso não funciona.
Cássio — Há 15 anos, a Trellis
fabrica equipamentos, mas, há três
anos, criou o negócio das soluções.
Temos uma solução chamada Hiper
VoIP. Concordo com o professor Leonardo: a longo
prazo, vai acontecer uma grande mudança
no mercado de telecom, que é a comoditização
[padronização] das redes. Hoje
a rede é o grande caixa das operadoras.
Mas, com as novas tecnologias, como o sistema
de transmissão sem-fio WiMAX, o usuário
terá a sua rede. Então, para que
a operadora? A longo prazo, esse é o ponto.
Nós acreditamos numa coisa: rede é coisa
do passado. O futuro é dos serviços.
Até lá, o principal problema é convergir
a cabeça das pessoas, porque a tecnologia
está aí, não é nenhum
bicho-de-sete-cabeças.
Vasco — A Hip Telecom tem licença
nacional para telefonia fixa e para serviços
multimídia. O carro-chefe é a telefonia
via banda larga para empresas pequenas e médias.
Dá para viver só de VoIP? Para
atender a demanda, precisamos expandir o modelo
comercial um pouquinho mais: precisamos de pós-venda.
Assim que a caixinha é entregue na casa
do cliente, a gente liga: “Chegou aí uma
embalagem que precisa ser aberta, precisa ser
ligada de um lado na banda larga e do outro na
telefonia.”
E tem o problema dos legados das pequenas e médias:
proxys, pilhas de servidores, mantenedores de
PABX e de rede local que estão de férias
e só voltam no mês que vem, etc.
Para nós ficou claro: viver só de
VoIP é um problema, mas, se aumentamos
um pouco o raio de ação, esse problema
se transforma numa oportunidade.
Então, o novo mercado de telecom inclui
oferecer soluções de banda larga,
rede local, PABX (com servidor ou não),
fax via e-mail, sala de conferência, o
click to call (com milhões de nichos),
números virtuais, etc. Tudo com serviço
profissional.
As grandes operadoras não têm problema
financeiro para fazer tudo isso, mas têm
o problema de organizar tudo isso.
Voltando para o tema das empresas pequenas, elas
até agora enxergavam a necessidade de
ter uma linha de telefone, um PABX e uma conta
no fim do mês, mas não enxergavam
a necessidade de ter acesso à Internet,
e-mail e talvez um site. Temos de formar a demanda,
informar.
Telecom — Mas o cliente de VoIP não é um
comprador de preços?
Vasco — Eu
acho que a resposta não é qualitativa, é quantitativa.
Não vendo nada pela metade do preço;
vendo com uma redução de 10%, 15%,
não mais do que isso. Não posso
abrir mão da qualidade. Além disso,
percebemos que, quando vendemos pela Internet,
as vendas são de valor médio baixo.
Nós precisamos de vendedores mais bem
treinados, então levamos para o cliente
uma solução, uma solução
que diminui o custo. A pequena empresa é muito
simples, qualquer coisa que saia do normal é um
problema: e-mail é um problema, telefonia é um
problema, sem falar do administrativo.
Não temos a pretensão de resolver
o administrativo, mas de resolver a parte de
tecnologia, com soluções de comunicação
que sejam simples do ponto de vista do cliente.
Acho que o futuro é a convergência
de informática e de telecom para pequenas
e médias empresas. A porta de entrada
continua sendo a economia com telecom, mas para
isso precisamos dar uma olhada na rede local,
depois na banda larga, depois no servidor — e
depois, em vez de manter o cliente pelo preço,
viramos o jogo ao contrário.
Telecom — É difícil
garantir a fidelidade de uma empresa pequena?
Vasco — Antes
de tudo, eu preciso de uma interface no cliente.
Então, eu preciso
de uma área comercial forte. Depois disso,
o principal é o atendimento ao cliente,
e para atender bem, preciso de uma série
de sistemas, de ferramentas internas. Para fidelizar
uma empresa pequena, depende muito de para quem
eu ligo, no caso de um problema. Uma vez, uma
empresa pequena ligou para o nosso suporte porque
tinha quebrado o forno de microondas. É verdade.
E a gente mandou um cara lá. É isso
que eu quero: que o cliente me ligue para tudo
o que é tecnologia.
Hugo — A GT nasceu há quatro anos,
com foco em serviços de telefonia VoIP,
com foco em telefonia global, de 220 bilhões
de minutos por ano. VoIP representava só 2%.
Hoje, deve chegar a 19,5%. A telefonia tradicional
estagnou, cresce cerca de 2% ao ano.
Montamos um ponto de presença em Governador
Valadares (MG) em dezembro de 2003, e no fim
do mês já tínhamos 50 mil
minutos de terminação de tráfego
internacional no Brasil. Hoje temos uma rede
VoIP com 70 pontos, é a maior do Brasil.
Terminamos mais de 2 milhões de minutos
por dia, quase tudo vindo do exterior.
Aproveitamos a rede também para fazer
DDD, e geramos 150 mil minutos de tráfego
nacional por dia.
A telefonia convencional, por circuitos dedicados,
vai desaparecer e está desaparecendo.
As empresas de telefonia terão um problema
sério: como manter uma rede antiga convencional,
quando, por meio da banda larga, você consegue
interligar dois pontos? VoIP introduz uma variável
perigosa no mercado, para os analistas contábeis,
porque o valor das centrais convencionais vai
cair para zero. A operadora não vai mais
ter ativos, mas vai ter despesas.
O que vai valer? Onde vai estar a força?
No mercado, no canal de vendas, no preço.
Todo mundo terá de ter qualidade. O problema
não vai estar mais no provedor da rede,
mas no provedor de banda larga, que terá de
aprender a vender 512 kbps e entregar 512 kbps.
Hoje ele vende 512, mas só entrega 260.
Se o cliente faz um download pesado, ele começa
a picotar o tráfego. Ele culpa a VoIP,
mas não é a VoIP, é a banda.
Nós precisamos de banda com QoS [qualidade
de serviço garantida para algumas aplicações].
Telecom — Como é o
relacionamento com as grandes operadoras?
Hugo — A
GT focaliza em telefonia. Concorremos com a
Embratel, a Telemar, as incumbents. Mas elas
dizem: você compra voz? Você telefona?
Então, usa o meu sistema. Elas têm
um ativo que vai depreciar, que vai virar despesa,
mas que eu alugo mais barato e pago por mês.
Além do mais, para certas empresas, as
grandes operadoras não dão assistência.
As operadoras sabem que nunca vão chegar
a certos nichos. Mas eu sou capaz de reduzir
o preço, de dar assistência, de
ensinar.
Leonardo — Um
comentário sobre a
questão da banda: um dos objetivos da
Internet 2 era rede sem qualidade, porque a banda
seria infinita. Se o cliente precisasse de 10
megabits por segundo, ele teria 10 megabits por
segundo, e se precisasse de 20 megabits, teria
20 megabits. Aliás, o conceito da infovia é justamente
esse: banda ilimitada, com fibras ópticas.
E um dos produtos da infovia é Internet
gratuita.
Hugo — O
problema principal é o
canal de venda, que é caro. Hoje, venda
e distribuição não é despesa,
mas investimento. Precisamos colocar pessoas
no campo batendo por seis meses, criando, para
ter o que faturar depois. Canais de venda e equipe
de venda são o item mais crítico
numa operação. Os equipamentos
são todos iguais e bons, pelo acesso e
pela banda nós brigamos, engenheiros a
gente acha ou treina — agora, com os canais
de vendas, estamos voltando ao passado, investindo.
E esse vendedor trabalha para quem paga mais.
Nem adianta chiar, porque nós faríamos
o mesmo.
Alex — Aproveitando
o gancho: no mundo da telecom VoIP, o que parecia
fácil é difícil. É difícil
vender, manter a qualidade, manter os parceiros
de negócio. Fazer VoIP funcionar adequadamente é fácil.
Daniel — A
Telfree foi fundada em abril de 2005. Antes
disso, pesquisamos o plano de negócios por um ano. Nosso projeto é focado
em operação, nascemos para ser
uma operadora de telefonia IP. Sou da área
de tecnologia, conheço bem a tecnologia
IP, as nuances da interconexão. E sempre
ouvi falar que voz é suficiente para gerar
receita no caixa. De abril de 2005 até agora,
estamos chegando à marca de 10 mil clientes,
90% deles corporativos. Hoje temos 70 escritórios
regionais, 171 cidades atendidas com ponto de
presença para a telefonia fixa, 2 mil
cidades com ponto GSM para telefonia celular.
Nesses 70 escritórios, podemos ter agentes,
pequenas empresas que trabalham, por exemplo,
com a venda de periféricos, centrais telefônicas,
consultoria; quando essas empresas têm
a oportunidade, elas agregam o nosso serviço.
Já temos 1.200 dessas pequenas empresas
cadastradas. Temos 200 clientes pós-pagos,
e os demais clientes são todos pré-pagos.
É uma vitória, porque alguns dos
nossos clientes consumiam R$ 20 mil com telefonia
fixa, e hoje consomem R$ 7 mil no esquema pré-pago.
A inadimplência é baixíssima.
Temos 45 funcionários diretos, todos CLT.
Já fizemos duas rodadas de investimentos,
e estamos partindo para a terceira rodada.
Estamos no processo de montar um ponto de troca
de tráfego desenhado para atender as chamadas
convergentes. Isso porque o backbone da Telefônica,
da Embratel, dessas operadoras grandes, não
está dimensionado para RTP [a sinalização
dos serviços em tempo real, como telefonia
e videoconferência].
Davi — Vocês estão
avaliando o IMS, o IP multimedia system?
Daniel — Não.
Rodrigo — Não se justifica para
nós, que já trabalhamos 100% IP. É mais
fácil entregar o tráfego de voz
para quem tem o legado de telefonia.
Leonardo — Daniel,
seu modelo de negócios
não é muito parecido com o modelo
tradicional de telefonia? A infra-estrutura chega
até o cliente, e o cliente tem um serviço,
que é o serviço de telefonia. Por
acaso, esse serviço é VoIP. Não é muito
parecido?
Daniel — Não nos preocupamos se
o sistema é parecido ou não. O
modelo deve funcionar e trazer resultados.
Leonardo — Mas,
como já disseram
aqui, esse modelo não está sendo
sucateado?
Daniel — Eu
preciso de rede para ser competitivo nos projetos.
Nossa infra-estrutura nos possibilita competir
pelos clientes de médio porte.
Hoje, 60% das chamadas são transportadas
e terminadas pela nossa própria infra-estrutura.
Mas, de novo, o mais importante é o relacionamento
com o mercado.
Cássio — E
o que vai ser do telefone do futuro ou o que
vai ser o futuro da VoIP? Quando surgir o peer
to peer de VoIP [ligações
de voz ponto a ponto, sem a interferência
de nenhuma empresa, nem mesmo de empresas como
o Skype], a tendência é zerar esse
negócio.
Rodrigo — O
mercado conhece nossa operadora como Ivoz.Net,
mas a TDkom, que é a empresa-mãe,
representa três empresas.
Nós também ficamos um ano e meio
estudando o plano de negócios, em 2004
fizemos o primeiro lançamento, quando
o plano mudou totalmente. Em 2005, fizemos o
lançamento oficial para o mercado.
Acho que nosso desafio é aculturar o usuário,
porque VoIP, em termos de mercado, não
tem nada de novo. Passamos por tudo isso quando
surgiu o acesso discado. Acho que o usuário
nem entende que estamos vendendo VoIP, mas um
serviço de voz mais barato, com mais gerenciamento.
O protocolo IP dá uma gama imensa para
a gestão. O usuário pode ver a
conta em tempo real, coisa que não conseguimos
ver com o telefone tradicional.
Com o IP, o próprio usuário vai
montar o serviço — nós só vamos
prover as ferramentas.
Telecom — Qual é o
futuro das grandes operadoras?
Roberto — As grandes operadoras vão
canalizar os investimentos para banda larga.
Hugo — Elas dizem o seguinte: deixa os
pioneiros, eles aculturam o mercado. Enquanto
isso, elas se dedicam à banda larga e
a uma estratégia para os serviços
sem-fio, como o celular.
Vasco — Mas o problema fundamental, que
falamos antes, é o atendimento.
Hugo — Vai haver sempre esse nicho.
Vasco — Se as grandes operadoras começam
a atendem bem o cliente, resolvendo os problemas,
operadoras como a Telefônica continuam
ganhando dinheiro, porque têm o Speedy,
têm as terminações, têm
as interconexões.
Alex — Têm
a TV, como a TVA.
Vasco — A prioridade delas é o mercado
residencial, isso não vai mudar tão
cedo; as empresas contratavam as grandes operadoras
porque, na verdade, não tinham escolha.
Eu, como operadora, tenho mais medo da TIM e
da Vivo do que da Telefônica ou da Embratel.
As celulares ameaçam mais o futuro da
VoIP, justamente porque a convergência
exige um aparelho.
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