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Governança: O tempo de cada um
   
   

Alcyr, da Portobello.
“O ERP de mercado está preparado para os caminhos da empresa no futuro, mas dá mais trabalho para que os usuários se adaptem.”

     
   
Flávio, da Cooperativa Agrícola.
“Nas áreas em que somos iguais aos outros, temos um ERP de mercado. Nas áreas estratégicas, optamos pelo desenvolvimento interno.”
     
   
Francisco, da Tupy Fundições.
“É difícil transformar uma pessoa metódica, que ama desenvolver sistema, num consultor de negócios.”
     
   
João, da Líder Táxi Aéreo.
“Mudanças radicais ao longo da cadeia de produção são difíceis. Aproveitamos as trocas de sistemas para quebrar barreiras e melhorar processos.”
     
   
Jonas, da Clarion Agroindustrial.
“Contratei analistas, estudamos os processo de toda a empresa e começamos a desenvolver o ERP em 1999. Hoje o sistema está estável.”
     
   
José, da Faber-Castell.
“Antes da implantação, eu visitei uma série de empresas para evitar cometer os mesmos erros. No final, eu tinha um projeto e os mesmos erros. ”
     
   
Spadoni, da Unimed Porto Alegre.
“O importante da informatização é não gerar muito papel, porque isso exige mais gente para processar as autorizações.”
     
   
Marco Aurélio, da Zamboni Comercial.
“Às vezes, os fornecedores mentem. Na reunião, eles falam o que o diretor quer ouvir, e não o que é verdade.”
     
   
Narciso, da DaGranja Agroindustrial.
“A agroindústria, principalmente de carne, segue regulamentações sanitárias estranhas, principalmente para quem exporta.”
     
   
Régis, da RBS TV Gaúcha.
“Há quatro anos centralizamos o datacenter e terceirizamos tudo. Em agosto deste ano, trouxemos tudo para dentro de novo.”

Com um bom parceiro de terceirização, a área de TI consegue entregar quase tudo o que os acionistas desejam. O que os profissionais de TI da empresa não sabem ou não possuem, os profissionais do terceiro sabem ou possuem. Mas a conta da terceirização é razoável, seja na forma de dinheiro, seja na forma de tempo (pois a gestão de um serviço terceirizado é mais complicada).
A mesa-redonda foi coordenada por Wilson Moherdaui, diretor editorial do Informática Hoje, e por Márcio Simões, diretor de redação. Participaram: André Campos, gerente de TI da FMC Produtos Agriculturais; Flavio Martins Limãos, gerente de TI para a América Latina da Goodyear do Brasil Produtos de Borracha; Hélio A. Silva, gerente de sistemas e serviços de informação da GM do Brasil; Luís Fernando F. B. Morelli, gerente de governança e gestão de TI da CPFL Energia; Mauricélio Lauand, diretor de TI da TAM; Pedro Balista, gerente de TI da Medley Indústria Farmacêutica; Roberto Galdieri, gerente de TI do McDonald’s; Rodolfo Dantas, gerente de suporte a aplicações da Shell Brasil; e Ronny Santin, gerente de TI da Kenpack Soluções em Embalagens.

IH — Como vocês encaram a terceirização de serviços da TI ou de processos inteiros de negócio?

Balista — Sou cético em relação à terceirização, não gosto de terceirização, acho que terceirização prova a incompetência do gestor. Trabalhei 11 anos numa metalúrgica, depois fui para a Medley em 2000. Desde então, a Medley cresceu bastante: a gente contratou umas mil pessoas, quadruplicou o faturamento. E discutimos mais a TI. Eu tento terceirizar desde 2000, tenho algumas coisas terceirizadas inclusive, mas não gosto do modelo. Se eu mesmo contrato e gerencio um profissional, eu tenho um custo. Se uma outra empresa contrata e gerencia esse mesmo profissional para mim, ela vai somar sua margem ao custo do profissional. E eu pago essa conta a mais. Se o custo for o mesmo, é porque o profissional não recebe aquilo que teoricamente receberia se trabalhasse para a Medley. Aí me dizem: mas existe uma empresa por trás desse profissional. Nos últimos anos, nunca vi uma empresa de terceirização por trás de ninguém.

IH — Você é contra terceirizações por princípio?

Balista — Se um problema nos dá dor de cabeça, a gente encapsula esse problema num contrato e entrega para alguém, com SLA e tudo. Esse modelo não faz sentido. Primeiro temos de mudar a cultura da empresa em relação ao problema.
Nós temos terceirização de impressão na Medley. Fiquei pensando por quê. As máquinas que usávamos no passado eram absurdamente ruins; eram projetadas para 36 meses, mas começavam a quebrar 18 meses depois.

Rodolfo — Você fez um comentário relevante: é um erro achar que a terceirização resolve um problema. Falo isso por experiência própria. Acho que o mercado de terceirização já está maduro, mas entendo que terceirização não é só body shop [o simples aluguel de mão-de-obra]. Hoje tenho vários serviços de terceirização, com resultados bem positivos.

Balista — Já falei para o meu coordenador: vamos terceirizar o que a gente faz bem. Depois falei: vamos terceirizar o que a gente não faz bem. Nos dois casos, o serviço piorou. No caso do serviço de impressão, a qualidade melhorou, mas porque as máquinas são muito boas. Então, nesse caso, a qualidade não tem a ver com a terceirização, mas com a tecnologia.

Mauricélio — Como contraponto, minha experiência é diferente. Até 2004, a TAM fazia tudo em casa. A gente só usava os pacotes de software inevitáveis numa empresa aérea. No segundo semestre de 2004, planejamos uma estratégia de terceirização para a organização inteira. Esse é o primeiro ponto: a estratégia de terceirização da TI não pode ser isolada — ela deve fazer parte da estratégia da empresa. Essa não é, na verdade, uma decisão da área de TI.
Fizemos duas ondas de terceirização; estamos começando a terceira onda agora. Na primeira onda, terceirizamos todo o datacenter, para conseguir crescer de forma imediata. Depois que terceirizamos o datacenter, a TAM dobrou de tamanho, e a infra-estrutura de TI nunca parou. Se não tivéssemos terceirizado o datacenter, seria impossível crescer e manter a qualidade. E ganhamos no custo, porque passamos a dividir no datacenter terceirizado coisas que não dividíamos quando o datacenter era só nosso. Nosso datacenter era referência da HP, da EMC, da Oracle. Mas, quando começamos a interagir com empresas de datacenter, vimos que tínhamos uma série de vulnerabilidades. Elogio de fornecedor é como o canto da sereia: ele sempre diz que você comprou e instalou coisas boas demais. Mas o nível de serviço que temos hoje, com o datacenter terceirizado, é muito maior do que o que tínhamos antes.
Na segunda onda, terceirizamos telecomunicações. Mas isso é básico, é quase inevitável.
Já começamos a terceira onda, que é terceirizar todo o desenvolvimento de sistemas. No fim, vão ficar dentro da TAM só analistas de negócios e o pessoal de arquitetura de sistemas.
Quais são os ganhos? Garantimos o conhecimento, até pela negociação que fizemos com o fornecedor. Se a demanda por técnicos de determinado nicho aumenta, não corremos o risco de perder funcionários para um concorrente.
Mas qual é a missão da área de TI? É fazer certo da primeira vez, para trabalhar com ciclos de entrega cada vez menores. Quando os funcionários da TI são próprios, nossa tendência é ser mais lenientes.
Outra coisa: nas nossas terceirizações, o custo não foi o foco.

Hélio — Tenho trabalhado nos últimos dez anos com terceirização. Em algum momento, toda empresa precisa terceirizar, não importa se o modelo é bom ou não. Nesse momento, precisamos colocar o modelo para trabalhar a nosso favor. Se a gente se rende a um modelo, não necessariamente ele funciona do jeito que deveria. Então, o modelo de terceirização usado pela GM talvez não funcione numa empresa semelhante, do mesmo porte, porque a cultura de cada empresa é diferente.

Flavio — Acho que já está claro: terceirização para reduzir custos não funciona. Ela precisa ser parte da estratégia. Na Goodyear, uso a terceirização para ter o mesmo serviço em todos países; eu não conseguiria isso só com os funcionários da Goodyear. Isso é diferente de reduzir o head count [o número de funcionários diretos].

Roberto — De acordo com a estratégia da empresa — de curto, médio e longo prazo —, definimos o modelo de terceirização mais adequado. Pode ser body shop, que é contratar um conhecimento específico para uma posição específica de trabalho. Pode ser terceirizar um processo inteiro. O importante é trazer os resultados para a empresa.
No McDonalds, o body shop funcionou durante muito tempo; mas a empresa cresceu, ficou mais dinâmica, e o body shop não serve mais. Quanto pior o desempenho do terceiro, mais ele ganha dinheiro. Estamos agora num processo de transição. Pretendo pagar por resultados; o terceiro precisa alcançar objetivos de negócio, e não simplesmente de TI.
Enfim, eu vejo a terceirização como uma opção. Se a gente trabalha com tudo dentro de casa, mas não consegue atingir as metas da empresa, então a gente falha como um todo.

IH — Vocês têm métricas a respeito disso tudo?

Mauricélio — Temos métricas. Não são as ideais, porque ainda estamos aprendendo. Tenho procurado visitar empresas mais maduras, com experiência internacional.
A grande discussão sobre custos, contudo, precisa ser feita em conjunto com a área usuária. Isso é legal de falar, mas, quando vamos fazer, enfrentamos várias dificuldades, em razão da própria cultura da empresa. Por exemplo: às vezes, temos um ótimo custo na área de TI, mas, lá na frente, não teremos a capacidade de entregar alguma coisa. Isso pode trazer conseqüências terríveis para a empresa.

Luís Fernando — Para mim, terceirização é um assunto muito complexo, pelo número de variáveis. Em 1999, depois da privatização da CPFL, escolhemos o modelo de terceirização. Desde então trabalhamos com terceirização completa, full outsourcing.
Existem vários tipos de fornecedores de serviços de terceirização: empresas pequenas, empresas globais, empresas que só trabalham em Campinas [interior de São Paulo]. O funcionário de um fornecedor pequeno aceitaria um emprego na CPFL até por um salário menor; o funcionário de um fornecedor global jamais aceitaria um emprego na CPFL, talvez nem mesmo para ganhar mais.
Percebemos o seguinte: quando não soubemos definir em contrato muito bem o que queríamos, o serviço piorou. Quando soubemos, o serviço melhorou.
Agora, nossa dificuldade é flexibilizar os contratos, de forma que os parceiros atendam o crescimento da CPFL. Hoje, somos 23 empresas, e a CPFL está comprando mais.
Se a gente se amarra em contrato por 60 meses, para ter um prazo bom para depreciar o hardware, quando a gente precisa de alguma coisa adicional, o fornecedor pode pedir o preço que quiser, se não temos a liberdade de contratar outro fornecedor.
Hoje, estamos também aumentando o número de fornecedores de terceirização. Teremos pelo menos três empresas.
Isso aumenta a responsabilidade da área de TI. Teremos de gerir melhor cada um dos contratos, senão vira um empurra-empurra: a rede está superlenta, mas um fornecedor diz que os servidores estão perfeitos, outro fornecedor diz que a rede está perfeita, outro fornecedor diz que o banco de dados está perfeito. A gestão dos fornecedores é fundamental.

André — Quando existem vários fornecedores, existe sempre uma zona cinza para gerar conflito entre eles, e gerenciar isso é complicado. A FMC é uma indústria de defensivos agrícolas e, desde 2001, crescemos cinco vezes. Nosso datacenter já foi terceirizado; agora, trabalhamos para terceirizar o help desk [o serviço de assistência técnica ao usuário]. Como trabalhamos com agricultores, precisamos instalar hardware e software em lugares de todo o Brasil, lugares em que nem existe conexão de dados direito.

Ronny — Já aprovamos a terceirização do datacenter, e um parceiro vai trocar nossos equipamentos, até para diminuir o custo. Essa terceirização vai durar 60 meses, com redução de custos; e não correremos o risco de contratar funcionários.

Flavio — Até que ponto estamos terceirizando? É fácil terceirizar o datacenter, porque é um serviço nosso, dos bastidores. Mas na verdade nós, da área de TI, não estamos acostumados a fechar contratos. Quando não estamos maduros na prestação de um serviço, é difícil fazer a terceirização, porque vamos negociar com um terceiro um serviço que nem está devidamente negociado dentro da empresa. Vamos negociar com o parceiro com bases muito flexíveis, porque as empresas são flexíveis. A empresa se acostumou a dizer que a área de TI custa X, e se acostumou com a idéia de que pode colocar o que bem entender dentro desse X. Isso é terminar com o contrato de prestação de serviços, pois nenhum provedor aceita modificações unilaterais no escopo do contrato.
Mas, se a empresa tem a cultura da prestação de serviços, fica mais fácil. Se a TI tem o costume de trabalhar segundo contratos, fica mais fácil.

Mauricélio — Depende do grau de governança da empresa. Se a empresa não lança um produto novo numa onda, a empresa perde a onda e tchau. Então, a gente chega no comitê e diz: vai dobrar o orçamento. O comitê vai discutir: qual é a receita, qual é a margem — compensa? Se compensar, com a terceirização a TI não tem como falar não. Ela e o parceiro vão entregar o produto novo num prazo razoável.

Balista — Mas eu fico pensando o seguinte: quando eu compro uma máquina, ela é minha, vou pagar a depreciação, ela dissipa X de calor, consome X de energia elétrica — é matemática. É só fazer as contas. Se você terceiriza muito, vai ter de abrir um departamento para cuidar de contratos. É um custo a mais.
Então, se a gente faz a terceirização para se livrar de tecnologia velha, tudo bem. Mas se a gente tem a oportunidade de ter tecnologia nova, não tem conta que fecha. É meio óbvio.
Tentei terceirizar o datacenter. Mesmo levando em conta todos os custos, até mesmo quanto eu pagaria de aluguel pelo meu próprio datacenter, a conta não fecha. Nenhum fornecedor chegou perto do meu próprio custo.
Agora, já fiz muitas terceirizações com começo, meio e fim. Em geral, ganhamos com isso: trazemos gente experiente, e trazemos para dentro da Medley o conhecimento dessa gente. Depois que o sujeito do terceirizado vai embora, continuamos a operação com um custo adequado.
Hoje, nosso pessoal de TI fala muito pouco sobre bit e byte. Meus coordenadores de TI se sentam com os diretores para conversar sobre o lançamento de remédios. Sabemos exatamente quais serão os movimentos de marketing em 2008 e 2009.
Eu tenho uma demanda X de profissionais, que não consigo contratar. Minha equipe, pelo menos 40% dela, foi desenvolvida dentro de casa.

Mauricélio — Quando você fala que a conta não fecha, acho que cada empresa tem uma conta. Mesmo partindo do zero, você precisa considerar o ganho de escala.
O pior exemplo possível é o do aplicativo. Se você vai terceirizar a manutenção dos aplicativos legados, essa conta tende a não parar de pé de jeito nenhum.
Mas essa conta também depende do tamanho da empresa. Se eu tenho um ambiente de testes, tenho de investir em hardware e software do ambiente de testes, e não divido esse investimento com ninguém. No caso da TAM, a terceirização dá ganhos, mesmo fazendo investimentos do zero. Porque o provedor nos dá ganho de escala, ele divide o ambiente de testes com um monte de clientes.

Hélio — A gente está focando muito em commodity, em datacenter. Vamos falar de conhecimento?

Mauricélio — Esse é o mais caro.

Hélio — Se eu preciso montar uma estratégia vitoriosa na Internet, vou precisar de pessoas especializadas em arquitetura de portais, ergonomia. Esse é um conhecimento específico, que não faz parte da minha empresa.

Balista — Neste caso, eu concordo plenamente: terceirização com começo, meio e fim. Mas tudo que tem começo, meio e fim não é terceirização — é um projeto.

IH — Como funciona a gestão dos contratos de terceirização?

Hélio — Em 2006, assinamos seis acordos globais, divididos em 44 contratos de abrangência mundial. Um dos contratos têm 1.200 cláusulas, com métricas e tudo o mais. Esses contratos são gerenciados por um mediador, que não é do jurídico. O jurídico deu o apoio antes de assinar o contrato, o departamento de compras também, mas o mediador é um técnico do contrato, ele tem a obrigação de conhecer bem a estrutura do contrato, e de propor a evolução do contrato, porque em 60 meses vamos sentar e discutir tudo o que aconteceu.
A gestão desses contratos é feita com o apoio de um aplicativo, o e-contract. Aliás, o contrato já é escrito de forma a facilitar a automação da gestão.

Mauricélio — Acho que, quando fazemos terceirização, precisamos focar na governança. E a gente encara o contrato como dinâmico; não vamos ficar cinco anos esperando para renegociar o contrato — mas também não vamos renegociá-lo e espremer o fornecedor todo mês. É muito importante incluir essa dinâmica no contrato.

Roberto — Quando eu falei que, quanto pior o desempenho, mais o fornecedor ganha, usei esse fato real para sustentar a crença que tenho nesse modelo. O body shop sempre foi assim? Não. No passado, ele funcionava, trouxe resultados. A gente punha as coisas na balança, e a balança ficava equilibrada. No nosso caso, precisamos rever um modelo que já funcionou.

IH — Quais são as conseqüências da governança na terceirização?

Luís Fernando — Posso dar um exemplo da CPFL. Contratamos uma consultoria quando fomos renovar um contrato. Ela saiu entrevistando todo mundo para saber se as características do serviço estavam boas, e todo mundo disse que sim, que estavam perfeitas. Então, a consultoria assumiu que o contrato anterior era nota dez, e que podia copiá-lo. Só que o prestador de serviços nos dava mais do que estava no contrato. Quando contratamos outra empresa, ela passou a cumprir o que estava no contrato, e a qualidade do serviço caiu.

Hélio — Nós adotamos as boas práticas já conhecidas: CMMI no desenvolvimento de projetos e ITIL na gestão dos serviços. Todos os fornecedores têm que seguir as mesmas metodologias, e eles precisam ser pelo menos um nível melhores do que a própria GM. Somos certificados em CMMI 5, então os desenvolvedores devem ser certificados em CMMI 5 também. [Não existe CMMI 6.]

IH — Então, esses padrões internacionais facilitaram as terceirizações mais complexas?
Hélio — Sim. Terceirizamos um processo estabilizado. Se a gente terceiriza um processo que não conhece, transferimos o problema, e nunca conseguimos reconhecer a solução.

IH — Vocês terceirizam processos inteiros, com a estrutura de TI incluída?

Mauricélio — Empresas aéreas têm tradição nisso, usam uma série de serviços compartilhados. Quando a reserva é feita no exterior, é feita pela GDS, um grande provedor de reservas. É assim desde a década de 80.
Estamos conversando na TAM sobre uma estratégia de BPO, mas não a curto prazo. Fizemos uma tentativa de BPO na área de RH, na folha de pagamentos, mas descobrimos que nem o nosso processo estava maduro, nem os provedores na ocasião (há dois anos) estavam maduros para tratar a complexidade da folha de pagamentos da TAM. Desistimos da iniciativa, mas acompanhamos com interesse a evolução dos fornecedores de BPO.

Hélio — Na GM, a iniciativa de BPO é da área de negócios, mas o responsável pela gestão do projeto é a área de sistemas. A TI tem experiência com projetos, tem órgãos internacionais como PMI. A TI precisa avaliar o sistema que está rodando no provedor de BPO, para ver se está dentro de padrões de qualidade. O provedor não pode te vender um processo ótimo, que roda num servidor fora da garantia.

Roberto — A área de negócios precisa ir junto, porque, se o BPO não dá certo, precisa voltar para dentro de casa. Se a área de negócios não vai junto, ela não ajuda a defender essa volta. Nós tínhamos a folha de pagamentos terceirizada para uma empresa; precisamos tirar dela e passar para uma outra. Voltar sempre é traumático, por mais conversa que tenha.
Agora fizemos dois contratos separados. Um deles tem como objeto o BPO em si. O outro é um contrato técnico, que me dá o direito de examinar as instalações do provedor.

 
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