| IH
— Como foi 2005, como você antevêem
2006?
ÍTALO —
Nos últimos três anos, a Natura dobrou
de tamanho, e a TI chegou a ter gargalos. Os dois
gargalos principais eram a captação
de pedidos (pelo site na Internet e pelo call
center) e a montagem e expedição
das caixas com os produtos. Não tivemos
interrupções nesses dois processos
críticos, mas tivemos problemas de desempenho
e corremos riscos. Ficou notória a necessidade
de transformar o modelo de gestão, investir
muito mais em TI. Esse foi o foco em 2005, e gastamos
quatro meses nisso, dois meses na revisão
do modelo e dois na elaboração de
um anteprojeto de aplicações —
levamos em conta as necessidades de negócio,
necessidades técnicas, adaptações
técnicas nos sistemas atuais e, por último,
como pano de fundo, a criação de
um único kit de sistemas para instalar
em todos os países em que a Natura opera.
Quando digo modelo de gestão, digo organização,
rituais, modelo de sourcing (compras), e por aí
vai. Revisão do nosso planejamento de capacidade
foi outro grande projeto em 2005. Revimos servidores,
links, bancos de dados, tudo com o mesmo mote:
a TI não pode mais ser gargalo no crescimento
da empresa. Em 2003 e 2004, pagamos o preço
por subinvestir em TI. E outro grande projeto
foi o backup site (CPD reserva); em pouco tempo
podemos colocar os principais sistemas no ar,
caso alguma coisa aconteça com o site principal.
Para 2006, a estratégia é implementar
de fato esse novo modelo de gestão e o
novo planejamento estratégico. Esse projeto
deve durar um ano e meio, pelo menos. Ao mesmo
tempo, temos dois projetos de sistemas: um é
a instalação de um SAP completo,
até com módulos de GPS; como temos
pouco tempo, um ano no máximo, estamos
até com dificuldade de definir o escopo.
Vamos também revisar todo o portal na Internet.
Temos um forte relacionamento com as nossas 470
mil consultoras de vendas, e pouco mais de um
terço delas se relaciona conosco via portal.
Precisamos agregar vários serviços
nesse portal.
IH — Vocês
dão algum tipo de estímulo para
que essas 470 mil representantes se relacionem
com a Natura via portal?
ÍTALO —
35% delas se relacionam com a Natura via portal.
Não é só para passar pedido:
ela busca material promocional, faz consultoria
virtual para montar a oferta para seu cliente.
Já demos incentivos duas vezes, e foi bem
complicado. Ela é pessoa física,
é autônoma, é dona de casa,
não posso lhe dar um micro de mão
para que ela capte o pedido -- é financeiramente
inviável. Estudamos usar o celular, porque
celular ela já tem.
DORIVAL —
Na Serasa, tivemos o desafio de transformar a
TI numa atividade-fim, num centro real de receitas.
Por isso consolidamos o sistema de certificação
digital, montamos um pacote de ofertas para as
mais diversas frentes, e hoje a Serasa é
um centro de referência no Brasil. Também
consolidamos a TI como um prestador para os clientes.
Mas a discussão principal foi outra: como
podemos estar mais presentes na cadeia de valor
dos nossos clientes, além de fornecer conteúdo.
Então desenvolvemos um pacote de ofertas,
para ampliar a receita por cliente. Foi um ano
bom, em que o mercado aceitou bem nossas ofertas.
Na gestão interna da TI, com isso de ser
atividade-fim, muda a cultura interna e o senso
de urgência. Capacitamos a equipe e adotamos
modelos de referência, como ITIL e CMMi,
integrados ao nosso modelo de qualidade. Tivemos
de consolidar nossa infra-estrutura, com dois
CPDs vivos, com replicação em tempo
real dos dados. Segurança foi outra questão
importante, e um dos nossos temas internos foi
como vender segurança com segurança.
Temos 140 pontos de presença no Brasil,
fizemos uma reformulação completa
de como esses pontos se conectam à sede,
melhoramos a rede de comunicação,
desenvolvemos novos aplicativos. Nos serviços
aos clientes, viabilizamos o acesso por plataformas
heterogêneas, e hoje nosso cliente pode
usar qualquer protocolo, qualquer hardware e qualquer
software para acessar as informações
da Serasa. Fizemos uma parceria com a Microsoft
para prover nosso certificado digital dentro do
Internet Explorer, uma grande diferença
de mercado. Não foi fácil a negociação
com a Microsoft Corporation, porque as prioridades
eram outras, com o lançamento do Windows
Vista. Para 2006, os desafios são enormes.
Estamos desenvolvendo novas ofertas de mercado,
até com integração de serviços
para nossos clientes. Vamos também rever
a infra-estrutura, para conseguir mais flexibilidade.
Neste final de ano, investimos em várias
ferramentas de gestão, devemos fazer a
implementação no começo de
2006. Vamos mexer nos portais na Internet, e temos
um projeto de data warehouse, estamos olhando
plataformas alternativas de processamento. Vamos
continuar com o investimento em CMMi e ITIL, já
que temos mais de 300 pessoas na equipe de desenvolvimento,
em vários ambientes operacionais. Pretendemos
identificar novas oportunidades no mercado, para
oferecer o conteúdo da Serasa em formatos
diferentes. A Serasa teve resultados excepcionais
nos últimos 12 anos, temos 300 mil clientes
diretos ou indiretos, apoiamos 3,5 milhões
de transações por dia. Mas está
na hora de buscar alternativas, ainda estamos
muito focados em análise de crédito
e análise de riscos. Já temos serviços
como análise da carteira do cliente, a
Serasa monitora eventos dessa carteira e avisa
o cliente de fatos que podem mudar a condição
das empresas na carteira. Com os certificados,
vimos que, se não ajudássemos nossos
clientes a criar novas aplicações,
o negócio não se consolidaria. Então,
passamos a vender consultoria, treinamento, terceirização,
suporte à integração de sistemas
legados.
LUÍS —
O grande projeto de 2005 foi decidir, de forma
judiciosa, como investir. Como a Vivo é
a união de seis operadoras diferentes,
sua herança é muito diversificada;
temos todas as tecnologias de hardware e de software.
Não havia duas operadoras com alguma coisa
em comum; até os modelos de negócios
eram diferentes, os rituais, o relacionamento
com parceiros, distribuidores. Por isso, aprovamos
um plano estratégico de consolidação
dos sistemas; decidimos consolidar todos os sistemas,
começando pelos mais importantes. Um plano
desses exige muita criatividade, porque ele é
complexo em si; e ainda temos de atender um mercado
em crescimento, o que nos obriga, ao mesmo tempo,
a fazer investimentos cruzados na manutenção
de sistemas legados. Às vezes, o dinheiro
investido no crescimento da capacidade de um sistema
legado não acompanha o crescimento, não
é linear, porque alguns sistemas já
estão no limite, não foram estruturados
para atender uma empresa com as dimensões
da Vivo. A verba é aprovada no início
do ano, tem de ser cumprida rigorosamente, e há
uma pressão muito grande nesse projeto
de consolidação de sistemas. Do
ponto de vista conceitual, esse é o grande
projeto. Em termos práticos, alguns desses
projetos já terminaram. Talvez o mais significativo
seja o SAP, como o ERP de toda a Vivo. Outros
sistemas críticos, como a mediação,
também já estão consolidados.
Mediação é o sistema que
recolhe as informações de chamadas
da rede e as prepara para diversos destinos, como
billing, data warehouse, etc. Nossa mediação
processa 500 milhões de eventos de rede
por dia, consolidamos alguns processos e regras
de gestão desses eventos. Nos outros projetos,
vamos trocando sistemas de região a região.
Para dar uma idéia da complexidade: migrar
os clientes de pré-pagos de São
Paulo, cerca de 9 milhões, significa tarefas
complicadas na gestão de recursos, pois
a migração foi feita em três
fins de semana consecutivos. Cada uma das ações
dura 48 horas, mais o trabalho de pós-migração
— e há toda uma dificuldade para
gerir o sono das pessoas. Quando o sistema volta
online, há sempre o trabalho de resolver
problemas, e precisamos ter bem acordados os principais
especialistas nos aplicativos. No data warehouse,
em vez de uma migração regional,
fizemos uma migração por grupos
consolidados; começamos a construir uma
base mínima para todas as operações
e vamos crescendo verticalmente, em funcionalidades.
Isso implica um trabalho transitório: interligar
o data warehouse com os sistemas legados, com
interfaces que depois são descontinuadas.
Fora tudo isso, o negócio de telecomunicações
celulares é muito competitivo. Todas as
empresas fazem o melhor para conquistar o máximo
de novos clientes e os melhores clientes dos outros,
aproveitando as oportunidades que surgem na hora
de trocar de aparelho, um produto de vida curta.
Para dar uma idéia, lançamos em
média um produto novo por dia; se ele for
lançado em três ou quatro regiões
diferentes, é como se estivéssemos
lançando quatro produtos novos por dia.
Sincronizar todo o trabalho e estabelecer as prioridades
é o desafio. Em 2006, vamos concluir esses
projetos, revisar o plano estratégico,
revisar as aplicações de menor importância,
que são muito numerosas. Também
estamos melhorando o modelo de gestão;
portanto, temos um conjunto de práticas
novas a seguir, com Sarbanes-Oxley, por exemplo.
FÁBIO —
O Grupo Votorantim tem a clara estratégia
de triplicar o tamanho do grupo em 2010; para
dar uma idéia, o faturamento bruto de 2004
foi de R$ 21,5 bilhões. E a área
de TI é estratégica também,
com a missão de padronizar toda a infra-estrutura
de TI e de implementar um ERP comum, o que estamos
fazendo desde o ano passado. Estamos falando de
300 localidades no Brasil, 100 no exterior --
fábricas, portos, centros de distribuição.
Em 2005, além de padronizar a tecnologia,
instalamos o novo ERP em três empresas do
grupo, uma delas muito grande, a de metais, com
nove localidades no Brasil. Para janeiro de 2006,
temos mais duas inaugurações do
ERP previstas — uma para a indústria
de suco de laranja e outra para a Votorantim Internacional.
Também concluímos em 2005 toda a
reforma da governança da TI, fortemente
baseada no Cobit, e motivada também pela
Sarbanes-Oxley. Atingimos níveis de maturidade
bem interessantes em todas as unidades industriais.
Também instalamos um portal corporativo
para todo o Grupo Votorantim, para relacionamento
com recursos humanos, com vários serviços;
é o embrião para um trabalho de
gestão do conhecimento do grupo. Para 2006,
o desafio é um pouco maior. Teremos grandes
instalações do ERP -- estou falando
de papel e celulose, alumínio, cimentos.
São operações com fábricas
no Canadá e nos Estados Unidos. Vamos fechar
o ERP com uns 12 mil usuários no Brasil
e no exterior. Vamos criar também um centro
de especialistas de TI para o Grupo Votorantim,
com poucas pessoas, mas especialistas em ERP,
web, processos, políticas, infra-estrutura.
Isso melhora um trabalho que já começamos,
o centro de serviços compartilhados, com
funções financeiras, de administração
de RH, suprimentos; o centro ficará em
Curitiba. Finalmente, com todo esse trabalho,
teremos condições de integrar 100%
da cadeia de suprimentos para todo o grupo, da
compra de matéria-prima à entrega
do produto final, no Brasil ou no exterior. Como
dado interessante, dentro do trabalho de discussão
de processos para o ERP, cerca de 90% dos processos
em todas essas empresas batiam com o processo-padrão
da SAP. É um número alto. Depois,
obviamente, tratamos o que é específico
de cada negócio.
IH — Já
havia SAP na Votorantim Celulose e Papel; então,
porque a VCP terá de mudar de ERP?
FÁBIO —
Primeiro, os processos vão mudar. Agora,
nós temos processos globais, então
todos os módulos têm de estar adequados
com esses processos globais. Além disso,
haverá uma mudança de versão.
IH — Já
que vocês analisaram várias empresas
segundo o Cobit, quais foram os problemas mais
comuns na área de TI de todas as empresas?
FÁBIO —
O de sempre: casa de ferreiro, espeto de pau.
Os processos da própria área de
TI estavam muito pouco automatizados. Assim, decidimos
que todos os processos da TI deveriam ficar com
nota mínima igual a 3 (as notas do Cobit
vão de 0 a 5), o que já conseguimos
fazer: a média-geral está em 4,
segundo a avaliação mais recente
da Deloitte.
SÉRGIO —
Na área da saúde, cada vez mais
a TI faz parte do negócio. Os sistemas
clínicos são suportados pela TI,
ou então eles mesmos estão se transformando
em sistemas de informação. Com o
uso cada vez maior de tecnologia, o Einstein resolveu
criar uma diretoria específica para tratar
do assunto. O primeiro passo foi instaurar um
novo modelo de governança, com revisão
de processos, metodologia de desenvolvimento,
estratégia de conhecimento. Criamos um
escritório de projetos, porque a TI não
cumpria prazos, não ficava no orçamento.
Tudo isso passou a ser controlado. Desenvolvemos
o planejamento estratégico, e construímos
uma visão da arquitetura futura, para onde
devem caminhar a infra-estrutura e os aplicativos.
Acho que até o primeiro trimestre de 2006
tudo isso estará consolidado. Em termos
de projetos, no início do segundo semestre
de 2005, ativamos quase todos os módulos
do novo ERP SAP, e desativamos sistemas legados,
o que nos deu maior controle sobre estoques, maior
confiabilidade nas informações.
Não ficamos nenhuma hora sem faturar, foi
uma instalação de sucesso. Outro
projeto de impacto foi o de digitalização
dos exames, com laudos feitos por meio de reconhecimento
de voz, simplificou muito o trabalho do médico.
Segurança é muito importante, porque
um erro no sistema, em muitos casos, não
tem volta, você pode dar o medicamento errado
para o paciente. Para 2006, o foco é melhorar
a assistência ao paciente; estamos revisando
o sistema de gestão hospitalar e o de gestão
de laboratório, não sabemos ainda
se vamos atualizá-los ou trocá-los.
Para melhorar a assistência, estamos avaliando
tecnologias sem-fio, como RFID, terminais à
beira do leito. Outro desafio é suportar
o crescimento da instituição, sem
perder o controle dos custos; o lançamento
de novos produtos na área médica
é veloz, eles são caros, e não
dá para repassar os custos para o paciente.
Um dos nossos problemas é que, na área
hospitalar, há poucos fornecedores locais,
e em geral são pequenos. Os grandes fornecedores
sempre aparecem com equipes estrangeiras. Para
2006, também vamos analisar a estratégia
de fornecimento; vamos avaliar a terceirização
da operação e alguns outros projetos
que nos dêem velocidade. Nossa área
de TI vai ter de correr muito para não
virar gargalo, para suportar o crescimento da
empresa.
WAGNER —
O Serpro completou, em novembro, 41 anos, e é
a empresa responsável pelos principais
sistemas do governo federal e por vários
sistemas de estados e prefeituras. O desafio do
Serpro é manter esse legado em produção
e com bom desempenho. Sua preocupação
é não perder o foco; então,
não atua em qualquer área do governo,
mas nas áreas que tenham sinergia com a
arrecadação. Ao longo dos últimos
anos, impediram o Serpro de se expandir; então,
o desafio é dar resposta à demanda
reprimida. Com isso, de 2003 a 2006, o Serpro
deve dobrar de tamanho, dobrar a receita. Investiu
R$ 350 milhões em 2005, deve investir R$
450 milhões em 2006. Nesse período
de 2003 a 2006, vamos admitir 2 mil profissionais,
a maioria analistas e desenvolvedores, para trabalhar
nos 40 pólos de desenvolvimento. Um desafio
é atualizar os sistemas, são muito
robustos, pesados e de difícil migração.
O projeto estratégico é baixar plataforma
e usar software livre, mas é um projeto
para uns dez anos. O CIAF, o principal sistema
de administração financeira, tem
17 anos, e estamos neste momento fazendo um esforço
de atualização para banco de dados
relacional em plataforma baixa. Outro desafio
é investir numa plataforma de integração
das diversas bases de dados do governo, o que
devemos concluir em 2006. Temos parcerias importantes
com fornecedores e universidades, estamos investindo
em computação em grid, software
livre na gestão de redes, MPLS para voz
via IP em longa distância. Mas não
estamos preocupados em abrir novas frentes, exceto
umas poucas coisas, como a absorção
do sistema de informática do Denit, do
Ministério dos Transportes, ou o novo passaporte,
do Ministério da Justiça.
IH — O governo
colocou o Serpro na condição de
pregador do softwre livre. Isso atrapalha a gestão
da TI?
WAGNER —
Não tratamos nada como dogma, e temos avaliado
com cuidado as vantagens e desvantagens de software
livre, caso a caso. Nossos sistemas são
quase todos proprietários, e devem continuar
proprietários por muitos anos. E cada cliente
nosso tem uma equipe de tecnologia bastante competente,
que discute com o Serpro de igual para igual.
Então, software livre para o Serpro não
é dogmático, é pragmático.
Pois uma coisa é ter diretriz, outra coisa
é manter os sistemas em produção.
LAÉRCIO — É difícil
falar dos principais projetos de 2005 ou de 2006
num banco como o Bradesco, são muitos projetos.
Temos um projeto chamado TI Melhorias, algo como
US$ 400 milhões em cinco ou seis anos;
em 2003 e 2004, foi a fase de diagnóstico.
O projeto visa esquartejar a área de TI
do banco, procurando todos os locais em que seja
possível fazer algum tipo de melhoria.
Como o banco construiu seus sistemas ao longo
de 40 anos, o projeto não visa uma reformulação
completa, que seria impossível. Mas justamente
porque as coisas foram sendo feitas ao longo de
40 anos, há espaço para uma revisão.
A cada novo produto ou serviço que o banco
lançava, a TI criava um pilar para suportá-lo.
Quando era preciso fazer uma alteração
sistêmica, era preciso alterar cada um desses
pilares, para uma gama gigantesca de produtos
e serviços. Nós estamos derrubando
esses pilares, construindo uma arquitetura de
sistemas horizontal, multicanal, componentizada.
Parece simples, falando assim. Mas, até
agora, 30 grandes projetos compõem o TI
Melhorias. Vamos melhorar as falhas com a melhor
tecnologia no mercado, seja nacional ou estrangeira.
E isso atendendo as exigências das leis:
SPB 1 e 2, conta única, cadastro único
de clientes para o Banco Central, Sarbanes-Oxley,
Basiléia 1 e 2... Existe também
a competição, é preciso ser
competitivo. Por exemplo: lançamos, há
um ano e meio, um consórcio. O sistema
de TI foi feito em 90 dias. Em menos de dois anos,
o consórcio já conseguiu cerca de
220 mil cotistas, com faturamento de R$ 3,4 bilhões
-- isso já exige um sistema de TI novo.
Além das incorporações --
só em 2003 e 2004, o Bradesco comprou seis
bancos, três grandes e três médios;
880 agências de outros bancos sumiram e
surgiram no local agências do Bradesco,
com o luminoso e o aparato tecnológico
do Bradesco. Além da carteira de contratos
de outras empresas, como a Casas Bahia, com 1,5
milhão de contratos. Estamos fazendo o
data warehouse do CRM, já estamos colocando
os dados em plataforma baixa para o trabalho de
prospecção dos dados. No ERP, instalamos
o módulo do setor de compras, com 30 mil
fornecedores catalogados, de fornecedores de sabonete
a fornecedores de mainframe. São compras
da ordem de R$ 3 bilhões por ano. Só
para o módulo de recursos humanos, tivemos
de trocar 3 mil equipamentos em agências.
Então, sempre que precisamos mexer em alguma
coisa, os valores e os números acabam ficando
muito grandes, por conta do tamanho do banco.
Temos também o Cadu, o cadastro único
de clientes do banco, um sistema em que cada cliente
terá uma identificação única.
Ao acessar aquela identificação,
o cliente acessa simultaneamente todos os seus
produtos e serviços. Isso serve também
para o banco, porque o cliente vai também
alimentar o data warehouse e, por conseqüência,
o CRM do banco. Para 2006, eu citaria o caso da
mobilidade. Já demos vários passos,
estamos convencidos de que o futuro está
no celular ou no computador de mão. Algumas
agências já funcionam praticamente
sem-fio. Só não avançamos
mais porque o custo ainda é alto, mais
ou menos 25% maiores que sistemas tradicionais.
Outro ponto importante é a segurança
da transação, e por isso estamos
investindo nas chaves eletrônicas e nos
certificados digitais. Mas só a certificação
digital não é suficiente, e por
isso investimos em tabelas TAN (tabela com números
para autorizar as transações; quando
o cliente digita um dos números da tabela,
esse número passa a não valer mais;
o banco envia uma nova tabela quando a anterior
estiver acabando) para pessoas físicas
e investimos em tokens (dispositivos geradores
de números aleatórios) para pessoas
jurídicas. Isso protege o cliente do banco,
que é a parte mais fraca. Já compramos
400 mil tokens e 2,5 milhões de tabelas
TAN. Certificação digital é
um caminho, e a Serasa é nossa parceira;
nossas operações de câmbio
já dispensam assinaturas e documentos comuns.
Isso reduz brutalmente o tempo do processo, de
dois ou três dias, com o processo comum,
para 15 minutos, com certificado digital. Fizemos
um plug-in para o cliente baixar, que protege
bem a máquina do cliente, o que reduziu
muito o número de fraudes. Usamos 1,5 milhão
de cartões de débito com chip, os
cartões inteligentes. Ainda na segurança,
temos contingenciamento pleno, com um site de
emergência com tudo o que o banco precisa.
Outra coisa importante: antes, como as comunicações
não eram boas, as agências recebiam
uma atualização da agência
central, mas eram autônomas. A partir de
2005, elas passaram a funcionar com atendimento
centralizado, com enormes ganhos: todas vêm
ao computador central. (Muito embora a gente mantenha
uma alternativa de contingência em cada
agência.) Para dar uma idéia, essa
troca exigiu cinco anos de movimentos dentro dos
sistemas do banco, para passar de atendimento
descentralizado para centralizado; afinal, só
de mainframes grandes nós temos 20. Enfim:
em linhas gerais, esse é um panorama do
trabalho que estamos fazendo no Bradesco.
IH — Até
agora, então, o Bradesco não tinha
um CRM, um data warehouse?
LAÉRCIO —
Nos últimos anos, o banco trabalhou de
forma segmentada, verticalizada. Por exemplo:
a área de fundos tem 420 fundos, com 243
funcionalidades diferentes, construídas
ao longo dos anos. Isso é uma violência
contra qualquer sistema. O banco tinha sistemas
de maneira fragmentada, inclusive data warehouse
e CRM -- mas agora temos um data warehouse e um
CRM corporativos, para o banco inteiro. Montamos
um departamento só para isso -- que já
tem 50 funcionários. Esse CRM será
um grande instrumento de competição.
IH — Ainda existe
algum processo manual no banco, feito à
noite ou de madrugada?
LAÉRCIO —
Mais ou menos 20% do atendimento é feito
nos caixas da agência, e 80% do atendimento
é feito por meios eletrônicos, como
a Internet. Desses 20%, apenas 0,32% das transações
exigem alguma ação de retaguarda.
Praticamente zero. Todo o resto se liquida no
caixa.
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