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IH
— Para começar, qual é a experiência de vocês
com as VPNs/IP?
POSSETTI — Estamos
começando a fazer testes para ganhar experiência.
Temos uma rede corporativa, montada com tecnologia
frame relay, que interliga 42 pontos em 22 Estados
do Brasil. Dependemos muito da comunicação; toda
a nossa administração é descentralizada, mas às
8 horas da manhã do dia seguinte é preciso saber
tudo o que aconteceu no dia anterior. Essa rede
frame relay a gente usa para voz e para dados,
é uma rede nossa.
MENGATO — Para
mim, VPN é produto de segurança, é para prover
comunicação segura num meio inseguro. Nós usamos
as VPNs/IP para dar conectividade a nossos funcionários
externos via Internet, para que acessem bancos
de dados que a gente precisa, por lei, manter
em segredo. A VPN/IP veio substituir nossa solução
de RAS (remote access server, servidor de acesso
remoto) e os serviços de IP Discado da Telefônica.
Nós temos 3.500 usuários potenciais, os fiscais
de renda.
IH — Por que potenciais?
MENGATO — Nem
todos têm afinidade com a tecnologia, então temos
uns 1.200 usuários regulares e picos de 150 conexões
simultâneas. Internamente, entre os nossos prédios,
a gente usa a tecnologia clássica frame relay,
rede privada. O custo para interligar prédios
com VPNs/IP ainda parece inadequado.
DE LUCCA — O
nosso case é bem parecido com o da Secretaria
da Fazenda. Vamos usar as VPNs/IP para, devagar,
substituir nosso serviço de RAS. Temos cerca de
60 a 80 pontos implementados. Também temos em
paralelo uma solução contratada com a própria
Telefônica, de IP comutado, para dar acesso àquelas
unidades que não poderiam pagar por um link dedicado.
Basicamente, a planta está implementada numa rede
frame relay da Telefônica, com cerca de 600 circuitos.
A Sabesp tem uma pulverização muito grande, são
366 municípios atendidos, cada município tem pelo
menos um ponto de acesso.
SANTOS — O
nosso case é parecido. Hoje interligamos 150 Unimeds
com frame relay, e usamos VPNs/IP para ligar escritórios
remotos, onde frame relay seria caro. E também
faço VPN/IP para suporte remoto, a uma máquina
do escritório em Manaus, por exemplo.
IH — Afinal, VPN/IP
é mais barata ou mais cara que frame relay?
SANTOS — É
muito mais barata. Pegue um frame relay com a
menor velocidade possível, que é 64 kbps. Isso
custa mais ou menos R$ 800,00 por mês, além do
aluguel do roteador e o aluguel da outra ponta,
a ponta central. Projetando isso para um ano,
dá mais ou menos uns R$ 10 mil. Com VPN/IP, eu
ponho um appliance lá de uns US$ 1 mil, contrato
um ADSL, e ponho um appliance maior no centro,
isto é, faço um investimento inicial, mas tenho
a vantagem de ter uma ponta móvel, pode ser appliance,
pode ser acesso discado a um provedor. Ponha isso
contra o aluguel de um frame relay de 64 kbps,
mais o roteador, mais a conexão central, mais
uns custos adicionais, e o projeto da VPN/IP se
paga em seis meses.
IH — Mengato, por que a percepção de custo é diferente?
MENGATO — Provavelmente,
por causa dos volumes. Para nós, 64 kbps é muito
pouco. E, para conectar um escritório por VPN/IP,
eu precisaria de um acesso à Internet (uma porta
IP, que é sempre mais cara que um acesso comum).
SANTOS — Você
falou uma coisa importante. Eu não tenho a pretensão
de ficar no ar o tempo todo com uma VPN/IP por
ADSL. Por isso usamos os dois, frame relay e VPN/IP.
Para nós, o acesso por ADSL foi muito importante,
porque dá ao médico no consultório a possibilidade
de acessar todos os seus movimentos, que ele antes
tinha só no fim do mês. Por enquanto, nós temos
700 consultórios com acesso à minha base de dados.
A gente está finalizando o projeto de autorização
de acesso por cartão. Se todos os médicos entrassem
no sistema, seriam 90 mil médicos com 11 milhões
de clientes.
FACÓ — Acho
que a TAM, nesta mesa, é um dos casos mais complicados
de TP (teleprocessamento). São 8.600 pontos na
rede, concentrados em 320 nós. A empresa atua
em aeroportos nos três continentes. Ou seja, quando
a minha camada de TP sai do ar, a empresa pára
de operar. Obviamente, os links mais críticos
são os que ligam a matriz, em São Paulo, o meu
datacenter, aos aeroportos. Todo o serviço de
embarcar passageiros, de vender passagens, de
fazer check-in, de manejar cargas, passa por essa
rede. Eu posso até decolar avião sem essa rede,
mas sem ninguém dentro, o que obviamente não vale
a pena. Também no meu caso eu tenho um ponto e
nesse ponto estão vários equipamentos que acessam
o datacenter. Eu não tenho como fazer nenhuma
espécie de processamento distribuído ou de consolidação
durante a noite, porque eu vendo espaço num equipamento
que se desloca muito rapidamente. Qual é a nossa
experiência com VPN/IP? Existem alguns problemas.
O primeiro é que essa rede de ADSL está usando
a infra-estrutura de telefonia fixa e essa infra-estrutura,
dependendo da região, tem qualidade muito baixa.
Quando o link sai do ar, às vezes leva 24 horas
para voltar. Isso é impensável para mim, a loja
não consegue fazer quase nada, fica sem vender.
Então, frame relay é mais caro, mas não sai do
ar, pode até ficar lento, mas aí o cliente espera
um pouco mais. Mesmo assim, eu tenho 40 pontos
de VPN/IP por ADSL, isso nas regiões em que a
infra-estrutura de telefonia está melhor. Em algumas
regiões, o ADSL simplesmente não pára em pé.
IH
— Nas grandes capitais o ADSL é de boa qualidade?
FACÓ
— Não. No Sudeste, é,
mas até no Sul existem problemas. Isso muda até
dentro da mesma cidade. Em São Paulo, por exemplo,
tem lugar que vai bem e tem lugar que não pára
em pé. Esse é um aspecto. O outro aspecto é uma
agência de viagem que acessa o meu datacenter,
acessa para fazer reservas, para vender títulos;
não é uma loja da TAM. O que acontece com essa
agência? Eu uso VPN via Internet, crio um túnel
com criptografia, com smart card do outro lado,
é seguro. Só que a agência usa a mesma conexão
com a Internet para fazer um monte de coisas mais.
Então eu tenho um help desk interno na TAM que
atende essas agências. Ele liga e diz: “O teu
sistema está uma bomba, eu passo oito minutos
para vender um e-ticket”. Mas a agência tem 30
funcionários e, por azar, dois estão vendo páginas
de imagens bonitas na Internet (risos) Aí a área
de suporte tem que provar que não é culpada. Para
vocês terem uma idéia, eu tenho uma equipe itinerante
que vai às agências e com muito tato procura ver
como está a rede. Quando a gente pega uma agência
mais estruturada, que também tem um datacenter,
aí é mais fácil conversar.
DE LUCCA — É
interessante isso, você às vezes vende o projeto
de VPN/IP enfatizando a convergência, e aí tem
sistemas de missão crítica concorrendo com coisas
sobre as quais você não tem controle. Acho bom
incluir isso na discussão do ROI (return on investment,
retorno do investimento), às vezes a gente enfatiza
muito as funcionalidades e pode colocar o negócio
em risco.
SQUASSONI — O
conceito de VPN/IP que nós temos na Kodak é esse
mesmo, usar um meio, vamos dizer, selvagem, um
meio público e torná-lo seguro para as nossas
empresas se comunicarem. Uma de nossas iniciativas
tem a ver com acesso remoto. Há dois anos, a nossa
força de vendas na América Latina usava X.25 para
acesso remoto. Eram 350 funcionários pelo Brasil.
Nós migramos para VPN/IP primeiro por causa das
reclamações: encapsular IP dentro de X.25 dá uma
espera enorme. E por causa de custos também: nossos
gastos com acesso remoto nessa infra-estrutura
X.25 ficavam entre R$ 80 mil e R$ 90 mil. Começamos
a usar RAS de nossa propriedade, o nosso funcionário
ligava para o ponto de presença mais próximo,
mas replicar e-mail numa ligação do Nordeste para
cá é caro, e o custo do telefone começou a entrar
no business case. Então, migramos os 100 maiores
usuários de telefonia, desses 350, para serviços
de VPN/IP via ADSL ou via cable modem. O custo
total hoje está em torno de R$ 18 mil por mês.
Mas eles usam a estrutura só para atualizar as
apresentações que fazem aos clientes; o próprio
cliente depois liga para o SAC para concretizar
o pedido.
FACÓ — Esse
tipo de aplicação, assíncrona, é campeã para o
uso de VPN/IP.
SQUASSONI — Muitas
vezes também essa pessoa fica o dia inteiro na
rua visitando clientes. Então, quando chega em
casa, ele precisa de um acesso melhor. A VPN/IP
passou como um item de qualidade na vida do trabalhador.
Quando você vai fazer ROI, não consegue traduzir
isso em números. E também usamos VPN/IP para backup
do link principal.
FACÓ — Também
estou usando, é um custo interessante. SQUASSONI
— Nós tínhamos backup RDSI nos nossos roteadores.
Se caísse o link principal, eles restabeleciam
a conexão discando pela linha RDSI. Mas sofríamos
constantemente com isso, porque a tecnologia RDSI
no Brasil não funciona bem. Por exemplo, o escritório
do Uruguai, quando tinha problema, ligava por
RDSI para o Brasil. Mas, se dá problema, você
abre um chamado no Uruguai e eles dizem que o
problema está no Brasil; você abre um chamado
no Brasil e eles dizem que o problema está no
Uruguai. Então, resolvemos contornar com VPN/IP.
Mas aí o retorno não é bom. ADSL é assíncrono,
dá maior vantagem para o download. Então, se eu
conectar dois ADSLs iguais, um no Brasil e um
no Uruguai, os dois com 2 Mbps de download e 300
kbps de upload, o circuito inteiro fica com só
300 kbps, porque o download de um é o upload do
outro. Aí você tem que usar uma porta de Internet
simétrica, e os custos acabam ficando proibitivos.
Quase sempre, precisamos de 13% de retorno no
mínimo, para ter o break-even com uma inflação
de 13%. Se o investimento não der isso, é melhor
aplicar o dinheiro no banco. E não podemos usar
o cost avoidance, dizer que, se investirmos nisso,
a rede não pára, e o custo da rede parada é X;
isso não pode. E quando a gente escolhe fornecedor,
o market share é mais importante que a saúde financeira
dele.
IH — Por quê?
SQUASSONI — Muitas
vezes, a empresa colocou a alma no lançamento
de um produto. Como tecnologia emergente sempre
precisa de muito investimento, você pode tomar
a decisão errada se olha só a saúde financeira.
Mas, se a empresa começou a ganhar mercado, ela
tem potencial.
ADRIANA — Em
alguns mercados, você elimina todos os concorrentes
só olhando a saúde financeira. (risos) Squassoni,
você faz o cálculo de ROI sozinho ou o pessoal
da área financeira te ajuda?
SQUASSONI — Na
liderança da área de TI é um híbrido. Eu sou formado
em engenharia, mas tenho um MBA em gestão empresarial,
então acabo discutindo com o pessoal de finanças
e brigando pelos números. Mas efetivamente precisa
ter a aprovação do financeiro, principalmente
para investir na fábrica. Todo e qualquer projeto
precisa ter o business case direitinho.
ADRIANA — Todo
mundo aqui tem esse processo parecido?
POSSETTI — Não
tem como escapar disso.
FACÓ — Nem devemos escapar.
Todas as empresas buscam retorno sobre o que investem.
Se você investe sem retorno, é despesa, não é
investimento. Hoje, quando a gente senta com a
área financeira, é o resultado da empresa inteira
que interessa, e não eu justificar o meu orçamento.
Mas tem um problema com VPN, que eu quero repetir:
para o meu usuário ligar o bit de problema, é
rápido. Agora, para desligar, eu tenho que passar
um ano no ar, mostrar relatórios e ele, ainda
assim, torce o nariz. Então, de novo, no meu caso
específico eu preciso ter muito cuidado com a
VPN/IP por causa da confiabilidade. Você constrói
um muro tijolinho a tijolinho, mas derrubam o
muro de uma vez.
SANTOS — Na
realidade, pôr recursos à disposição do usuário,
como VPN/IP, tem de ser visto de forma mais ampla.
Dá para separar o que é missão crítica do que
não é. Eu não consigo entender prédio com 40 pontos
se não tiver um acesso dedicado à Internet. Mas
eu posso colocar um ADSL junto, para setorizar
os investimentos.
IH — Baldan, como é o quadro
na Suzano hoje?
BALDAN — Em
2001, a Suzano incorporou uma distribuidora. O
que mais demandou a utilização de VPN/IP foi uma
estratégia da distribuidora; ela decidiu que teria
pequenos pontos de presença espalhados pelo país.
Os produtos desses pontos seriam de alta rotatividade
e pouco estoque. É como o conceito do pão quentinho
na padaria. Para viabilizar esse projeto, nós
tivemos que buscar uma alternativa de conectividade
a custo baixo. Atualmente, temos três pontos usando
a tecnologia. Antes tínhamos quatro pontos, mas
a demanda de um deles cresceu e precisamos usar
um acesso dedicado frame relay. Na época, tentamos
usar só ADSL nos quatro pontos, mas em duas capitais
tivemos que partir para um link IP dedicado, de
pouca banda, mas dedicado. O ADSL é assim: ah,
o custo é baixo? Me dá o endereço primeiro, que
eu quero testar a qualidade.
FACÓ — Se
as operadoras não investirem na consolidação dessa
rede metálica, a vantagem do custo da VPN/IP vai
se perder na disponibilidade.
ADRIANA — A
gente começou falando de VPN/IP, mas estamos a
toda hora falando de ADSL. Alguém considerou alguma
tecnologia wireless ou alguma outra tecnologia?
SQUASSONI — Eu estou com um piloto de wireless.
FACÓ — Eu
uso nos aeroportos.
SQUASSONI — Aqui
na cidade de São Paulo, alguns dos nossos representantes
de vendas estão usando wireless, usando a rede
CDMA 1X disponível aqui, que promete até 144 kbps,
mas o desempenho é bem menor que isso, é muito
instável.
DE LUCCA — A
Sabesp, por exemplo, tem uma malha de milhares
de quilômetros de cano enterrado e tem elementos
em campo que requerem monitoração. Hoje, para
você aplicar qualquer nível de automação nesses
locais, depende fortemente de um meio de comunicação,
senão qualquer solução fica inviável. Por exemplo,
temos um piloto em São Paulo com 200 pontos em
que usamos a rede celular CDMA 1X. A solução wireless
é interessante, porque ela chega em campo e é
atraente do ponto de vista financeiro, eu transmito
pequenos pacotes e depois desconecto. Mas ela
tem um problema sério de estabilidade. Se o mecanismo
for muito crítico, como uma válvula de esgoto,
é preciso pensar bem antes de instalar wireless.
IH — A administração pública também fala em
ROI? Já chegou a esse nível de sofisticação?
MENGATO
— É complicado. Eu tenho
até a metade do ano para prever tudo o que vou
fazer no ano que vem, depois tem que aprovar em
lei, o orçamento é muito cortado e, na hora em
que chega o dinheiro, eu começo um processo licitatório
que pode tomar anos... Esses órgãos do Estado
em geral conseguem fazer alguma coisa com programas
específicos. Por exemplo, o governo federal fala
assim: “Vamos modernizar as fazendas estaduais”.
Então faz um contrato com o Banco Interamericano
de Desenvolvimento e dá umas vantagens, etc. É
mais difícil falar em ROI.
ADRIANA — Mas
você pode melhorar o processo de obter a arrecadação.
MENGATO — Isso.
A justificativa principal é aumentar a arrecadação,
no caso da Secretaria da Fazenda, não no caso
das outras. Mas também vale a melhoria da imagem,
o atendimento ao cidadão, isso é muito valorizado.
FACÓ — Pelos
comentários que ouvi da mesa, todo mundo contrata
provedor ou no máximo o nível dois. Num futuro
próximo, o meu desejo é me sentir seguro de não
contratar o nível dois, contratar mais em cima.
Contratar nível dois é um ônus. Eu recentemente
comprei R$ 1,5 milhão só de Cisco.
DE LUCCA — Desde
que a gente não veja mais o Chevette velho parado
na frente do DG (distribuidor geral, onde chegam
os fios de cobre). Eu acho que essa é a questão.
A gente tem uma planta metálica que ainda nem
se consolidou e estamos colocando serviços em
cima dessa planta.
IH — O que é mais importante
numa VPN/IP? Hardware, que é mais caro e dá bom
desempenho, ou software, que é mais barato mas
de desempenho menor?
SQUASSONI — O
mais importante é o client que vai lá na ponta
do usuário. E também a segurança. Precisa proteger
o micro, porque o usuário abre o browser e o e-mail
corporativo ao mesmo tempo. Então, ele está com
o túnel montado e também está com uma perna na
internet. Nós mudamos nosso client de tal forma
que, na hora em que o usuário monta o túnel, não
enxerga nada mais, a não ser a rede corporativa.
Se ele quiser acessar a Internet, tem que fechar
o client que dá acesso à rede corporativa.
SANTOS —
Você também pode hoje estabelecer uma VPN/IP sem
nenhum appliance, utilizando o recurso Microsoft.
Até para iniciar um projeto, você utiliza o próprio
recurso da Microsoft para fechar túnel. Hoje está
disponível, acho que é um bom começo para quem
não tem nada. E funciona bem.
IH
— Em que circunstâncias não se deve usar VPN/IP
de jeito nenhum?
DE LUCCA — Não
se deve disponibilizar alguns serviços. Por exemplo,
compartilhamento de pastas. O usuário gosta de
abrir sua pastinha de casa, mas isso é um risco
muito grande. Acho que se deve manter o foco da
VPN/IP em serviços críticos, de valor empresarial.
E cuidado com a segurança. Por exemplo, a gente
tem mecanismos de auditoria, de análise de vulnerabilidade.
Você arruma o ambiente e dali 30 dias está com
brecha de novo. Ele fica obsoleto muito rapidamente.
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